Transcrevo nota do jornal “Valeparaibano”, edição desta quarta-feira, 23 de Julho. Está na página 11 do primeiro caderno:
“Aposta simples dá uma chance em 50 milhões
A aposta simples da Mega-Sena, com seis números, custa R$ 1,75 e a probabilidade de um apostador acertar neste caso é de uma chance em 50 milhões, segundo dados da Caixa Econômica Federal. Na aposta de sete números, que custa R$ 12,25, as chances aumentam – uma em 7 milhões. Mesmo com as dificuldades, os apostadores não perdem a esperança e imaginam o que poderiam comprar com tanto dinheiro. E não é pouco. Com os R$ 30 milhões seria possível comprar 353 casas de três dormitórios na praia Martin de Sá, a mais badalada de Caraguatatuba, ou ainda 1.500 carros populares motor 1.0 no valor estimado de R$ 20 mil.”
Deixa eu falar que fui viciado em jogo. Um horror. Apostava em corridas de cavalos e nas máquinas. Ah, sim, nas loterias também. As máquinas é que fazem você arruinar-se, a velocidade é enorme, enquanto você tiver crédito – com a casa ou com o banco ou com os agiotas – você aposta. Parada sinistra. Sei lá como saí dessa, sei que saí, graças aos céus.
Tenho uma teoria sobre a compulsão do jogador exclusivamente baseada na experiência pessoal, não sei se está de acordo com os estudos científicos. Aposta-se não para ganhar, aposta-se para apostar. Ganhar ou perder, como se diz, faz parte do jogo. Joga-se pelo prazer de jogar. Corrobora esta teoria, acreditem pois é pura verdade, o fato de que apostava na loteria e não conferia os bilhetes. Pode? Consola-me hoje o fato que a teoria das probabilidades está do meu lado, quase certo dos bilhetes não serem os premiados. Cof, cof, quase. Vai saber.
Pois então, dizia, parei de jogar há algum tempo. Ainda agora, de vez em quando, num momento de sorteio de prêmio acumulado da mega, se ocorrer de passar por alguma lotérica e estiver vazia, titubeio e faço a aposta mínima. Sempre com os mesmos números: 01, 07, 10, 13, 18 e 20. Tempos atrás, quando era jogador contumaz, fazia aquele tipo de aposta repetida, você vai à lotérica e pede pra repetir aquele mesmo jogo por não sei quantas vezes.
Sério, até hoje não sei se esta combinação foi sorteada alguma vez. Gostaria de saber.
Mas, hoje, não vou apostar nem que a môça do caixa da loteria venha buscar a aposta aqui em casa. Vai que eu ganho?
Gente, eu quero tranquilidade. Alguém em sã consciência pode me explicar, com educação, o que faço com 353 casas num ponto badalado de Caraguá? Tenha dó. Tá, supondo que tenham alguma serventia, gastei todo o dinheiro com as casas. E o IPTU? Sim, eu quero saber quem é que vai pagar o IPTU. Quem vai mobiliar estas casas? Quem vai pagar o salário de quem vai ficar com a incumbência de abrir as janelas pra deixar entrar ar? E fechar as janelas, quem vai? Ah, eu, né? Tá bom. Tudo eu. Sei.
E os 1.500 carros? Aí realmente é a cereja do bolo. Onde que eu vou estacionar tudo isso? Nas casas lá de Caraguatatuba? Mas como, se posso comprar ou uma coisa ou outra?
30 milhões não dá pra nada. E pro que dá, só dá trabalho.
Não, não vou apostar.
Fica quem sentir vontade desde já com a autorização para apostar os “meus” números. Desejo sorte pra ganhar e pra gastar bem.
Como este blog não tem milhares de leitoras e leitores, mas todas e todos que aqui vêm são de escol – isto não é propaganda subliminar de cerveja, se for beber não dirija mas tome mais uma vodka gelada por mim and one for my baby and one more for the road – e portanto se todo mundo que estiver lendo apostar nos mesmos números, o prêmio será dividido por pouca gente.
Espera…eu poderia ser um desses da pouca gente.
Com licença, vou até a lotérica e já volto.
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Sugestão musical: “One For My Baby”, Billy Eckstine
Boa tarde e…sorte!