A Trilha Sonora da Tua Vida

By uirapuru

No Drops da Fal há uma pergunta: qual música você canta quando está feliz?
Depois de responder fiquei a me lembrar de uma idéia antiga: de como seria a trilha sonora da minha vida.
Minha paixão por cinema e música sempre me fizeram pensar nisto.
Há diversos tipos de trilha sonora. Desde aquelas em que as personagens têm seus temas distintos, até as que têm temas próprios pras diversas situações dos filmes. Há ainda as que combinam as duas.
Há também, é uma idéia interessante, quem propugne um cinema sem música. Cinema, pra esta corrente de opinião, é essencialmente imagem. Pra mim, pessoalmente, cinema sem música é como dizem muitos “oriundi” sobre espagueti: macarronada sem queijo é namoro sem beijo.
E nas nossas vidas, onde somos as personagens principais, que música toca? Qual seria nosso tema, o que ouviríamos nos momentos mais alegres, mais tristes, nos momentos sem sal nem açúcar? Talvez, como naquela canção que começa “o que dá pra rir dá pra chorar” tudo talvez seja apenas “questão só de tempo e de lugar”.
Temos sempre as opções de escolher nossas trilhas sonoras, não é? Algumas pessoas asseguram que neste filme que é a vida têm capacidade até de escolher o roteiro, o cenário, tudo. Não sei. Às vêzes acho que sequer minhas falas sou eu quem as escolho.
Mas a trilha sonora sim, está disponível pra todo mundo. É só treinar a vontade.
Você vive uma certa situação, marcante. Relembrando-a, na memória põe a música adequada.
Ou, ainda, no momento mesmo em que vive aquilo vem forte uma imagem musical. A música vem para explicar a situação, para embelezá-la.
Ou há o silêncio. Sem silêncio não há música possível. É principalmente a combinação som e silêncio que diferencia as interpretações das músicas. Timbre de voz, dos instrumentos e volume sonoro completam o quadro.
Por isto você ouve a Suíte Nº1 para violoncelo, de Bach, na interpretação de Rostropovitch e tem música. Ouve a mesma obra com Pablo Casals e tem outra música. Continuando o exemplo, ouve a mesma suíte com Yo-Yo-Ma e tem outra música ainda. Com o brasileiro que está fazendo tanto sucesso mundial no momento, Antonio Menezes, tem outra.
Pra ficar só nestes quatro violoncelistas, não dá mesmo, pra mim, dizer: tal versão é melhor, tal versão é a “certa”. O encanto que a arte exerce é também porque é que nem caleidoscópio, aceita e estimula e até requer muitas visões. O máximo que a gente pode alcançar, acho, é escolher dentre tantas e tantas obras e tantas e tantas versões a que nos fala mais fundo – naquele tempo e lugar em que a ouvimos.
Talvez nesta montagem da trilha sonora da nossa vida o que nos causa mais impacto é quando, sem querer, ouvimos algo para nós inédito. Passa a ser parte integrante deste nosso filme. Chegamos a nos perguntar: como é que essa pessoa sabia o que eu estava sentindo?
É assim com música, é assim com cinema, é assim com literatura, é assim com tanta coisa.
Na minha trilha sonora, nesta primeira quinzena de Julho de 2008, toda manhã toca o dueto das flores, de Lakmé, de Delibes.
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Frase de cinema (caras, não penso mesmo assim, mas a frase é fantástica):

Horace: – Oitenta por cento da população são idiotas e o resto de nós está em perigo de contaminação.

Horace Vandergelder (Walter Matthau) em “Hello, Dolly”
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Sugestão musical: A canção-tema de “A Bela e a Fera”, de Alan Menken & Howard Ashman. com Angela Lansbury

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Um excelente fim de tarde!

13 Responses to “A Trilha Sonora da Tua Vida”

  1. Fal Says:

    E eu leio minha caixa postal, quilido, e começo a crer que o velho Matthau tava era sendo otimista. Tempos negros, meu filhotinho.
    Sobre o texto das músicas propriamente dito, irretocável, as usual. Você é um craque.

    Hahahaha, nem quero imaginar como foram tuas respostas. Que bom que você gostou do texto e obrigado por ter falado.

  2. Rita Moreira Says:

    Sem tirar nem por, a trilha sonora de minha vida seria a mesma do filme Blade Runner!
    Num primeiro momento.

    Uma trilha linda, Rita. O bom desta, desta, sei lá, prática, ou mania – no sentido clínico da palavra – de escolher “nossas” trilhas sonoras é que você pode mudar a qualquer momento, basta querer. Disse que estou, quando me percebo consciente pela manhã, “procurando tocar” o dueto das flores, da ópera Lakmé. Pois bem, quando ainda estava na ativa, no banco, o que tocava de manhã era “Grande Fanfarra Para Um Homem Comum”, de Aaron Copland. Com todo seu humor amargo – a começar pelo nome – era como que a música ideal para patéticos heróis de barro. Tocava também depois do fim do expediente no trabalho, a caminho de um bar para uma primeira dose. Tá passando uma propaganda na tv, do bradesco, onde toca essa música. Na primeira versão da propaganda até que não distorceram a composição, o chocante foi só constatar sabê-la sendo usada para estes fins. Para meu alívio, nesta segunda versão, tacaram uma batida eletrônica, desfigurando por completo a obra, que bom que eles não gostaram do jeito que ela é. Ah, pra não ser mal entendido, não tenho nada contra o bradesco mais que contra qualquer outro, inclusive aquele onde tenho conta e onde trabalhei por trinta anos, o banco do brasil. São todos iguais.

  3. Mani Says:

    Ah, obrigada por me lembrar de Dueto das Flores. Conhece o Trio Amadeus? http://www.trioamadeus.com.br
    Também está no youtube: http://br.youtube.com/watch?v=QquJ5_ogDE0
    Acho que Jonh Barry faria uma bela trilha pra mim…Viu Em Algum Lugar do Passado?
    Na minha trilha ia ter Rachmaninoff, Piazzola, Chico Buarque, Lupicinio Rodrigues, Noel Rosa…Seria confusa? ou profusa???
    beijos, saudades de nós dois em uma ivraria…Ainda falta irmos juntos a sebos.

    Mani, não conheço o Trio Amadeus. “Em Algum Lugar do Passado” faz tempo que estou pra ver e ainda não vi. Salvei os dois enderêços que você mandou, obrigado. Tuas dicas são sempre ótimas. Como a trilha sonora que você escolheu. Também estou com saudades, achei mais alguns sebos muito legais pra quando você der a honra pra São Paulo de voltar para cá.

  4. Rita Moreira Says:

    Mauro,
    Temos então em comum ter trabalhado muitos anos em banco. Eu fui funcionária do extinto Comércio e Indústria, que virou Nacional que virou Unibanco… Todos iguais…
    A noticia boa é que, no mesmo programa que voce graciosamente contou uma história semana passada, Por Toda a Minha Vida, nesta estará fazendo homenagem a Dolores Duran.
    Coincidencia??? Ou Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia??
    Mani tem um tremendo bom gosto prá trilha sonora heinn???
    Beijos

    Rita, veja que mundo pequeno. Também trabalhei no Comind. Era adolescente – eu era adolescente, o Comind era já bem crescidinho – e consegui a proeza de ser demitido antes de um mês. Sabe o motivo? Uma das minhas tarefas era levar alguns papéis pra uma sede do banco em São Paulo capital (trabalhava no A do ABC paulista) e trazer outros papéis de volta. Bom, saía de Santo André umas dez da manhã e tinha que estar de volta umas duas da tarde, no máximo. Chegava às quatro, cinco. Seis! Ficava zanzando pelas livrarias. Voltava carregado de livros, deixava os pacotes numa pastelaria perto da agência pro gerente não ver as provas do crime. O gerente, paciente, perdeu a paciência quando um dia a subgerente me mandou buscar um pastel de queijo pra ela na pastelaria e eu trouxe um de carne. Fiz de propósito porque ela queria porque queria me humilhar de público, de uns tempos pra cá esta atitude ganhou o nome de “assédio moral”. Bom, ela ficou brava e me xingou e daí eu respondi que comprei o de carne porque o pasteleiro falou que estava mais gostoso e que na minha opinião estava bom demais pra ela. O gerente não gostou nem um pouco da minha atitude, hahahaha.
    Rita, que programa é este que falei semana passada? Fui eu? Não estou mesmo lembrado.
    A Mani é dez.

  5. Rita Moreira Says:

    uauauauauauauhahahaha
    Ai Mauro, eu sempre digo que o mundo é uma Ervilha heheheh
    O programa é Por toda a minha vida. Vc contou uma histórinha doWillian Bonner…
    Beijos, depois te conto do Banco!

    Ah, você me lembrou. Sabe que eu pensava que ele estava anunciando alguma telenovela?

  6. Mani Says:

    Mauro e Rita,

    Vamos ver o mesmo programa hoje à noite…Que delicia…amanha comentamos, que tal??? Eu amo Dolores Duran…Tem uma musica dela chamada Fim de Caso, lembram? Há um adeus em cada gesto, em cada olhar….Linda, e ainda tem OUça…Demais, beijos….

    Mani, só hoje venho te responder, me desculpe. Acabei não vendo o programa, mea culpa. Não conte pra Rita.

  7. Rita Moreira Says:

    Vamos sim, Mani. Eu também amooooooo Dolores…
    mañana hablamos…
    Beijos

    Entonces, no hablé na manhã seguinte porque acabei não vendo o programa, I’m sorry. Não conte pra Mani.

  8. Rita Moreira Says:

    Foi lindo…!
    Canções lindas, época maravilhosa….
    Dolores, Dolores. Sempre.

    E eu perdi! Eles reprisam?

  9. Mani Says:

    Rita, Mauro
    Eu amei o programa. Fiquei tão chocada com o fato de eu já estar bem mais velha que Dolores…Ela morreu tão nova. Amei a parte em que aparecia o Jobim falando da criação da musica Por causa de voce! Ela escrevia com lápis de olho??? Amei aquilo. beijos…

    Mani, como te falei, acabei não vendo, não conte pra Rita. Você sabe me dizer se eles reprisam?

  10. Rita Moreira Says:

    Eu também, Mani, achei lindo ela escrever Aquela letra com lápis de olho…. Eu não sabia que ela tinha partido tão nova. Mas também, o tempo pouco foi suficiente para deixar-nos estes tesouros.
    Foi um esmero este programa, fizeram bem feito . Pena que os bons programa eles coloquem em horário tão exdrúxulo….
    Beijos

    E eu então, que não vi?! (não conte pra Mani). Rita, você não me respondeu, será que eles reprisam?

  11. Juju Says:

    Mauro, se a propaganda do Bradesco for a que to pensando (eu nao conheço o nome da musica, veja só) é meu irmao que tá tocando…. me dá mais detalhes tá?

    saudades de vc meu amigo, por onde vc anda?

    beijocas
    ps. hj, como a dor de cabeça resolveu me acompanhar durante a tarde, resolvi enganá-la vindo aqui e lendo seu blog inteiro!

    Juju minha camarada, como falamos meus companheiros e eu: danou-se! Se você estava com dor de cabeça e leu este blog, tadinha, com o que estará agora, não?
    Ju, a propaganda é uma em que um sujeito mergulha numa raia olímpica e, olha que legal, fica segurando uma tocha, lá dentro da piscina. A tocha está mergulhada também. Não dá pra deixar de reconhecer que neste ponto o banco está sendo sincero: é tão verdade o que eles dizem quanto uma tocha continuar acesa numa piscina, hahahaha.
    Meu bem, nunca estive tão ocupado como nesta minha atual vida de desocupado, pobre de mim.

  12. Rita Moreira Says:

    Mauro, lamento muito informar que eles não reprisam. Pelo menos os bons programas eles não reprisam… Não sei qual é a lógica, porque se é bom, deve dar ibope.
    Tá sumido hein, Mauro!!!
    Abraços.

  13. Juju Says:

    pois é essa mesma… pode ouvir com atenção redobrada, pq é Daniel D’Alcantara trumpetando por lá…. e ele gravou 4 vezes, como se fossem 4 trumpets tocando ao mesmo tempo….

    agora já tem novas versoes da propaganda, com a mesma musica….

    eu nao acredito em bancos tb….

    acredito em duendes e nos poderes curativos do seu blog, pq a dor de cabeça acabou cedendo…. hehehehehehe

    beijos, mande noticias!

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