Archive for September, 2008

As cartas não mentem jamais

September 20, 2008

Enquanto aguardo Santos versus Goiás, nosso difícil compromisso logo mais às seis e vinte da tarde, tentarei colocar em dia a correspondência para o blog, enquanto Corinthians e Ponte Preta duelam com transmisssão ao vivo pela televisão e a rádio Classic Fm, de Londres, contribui para o clima adequado para tal mister.
É até poético acrescentar que a tarde não está tão fria e chove lá fora.
Vamos lá.

“Uirapuru, o que você acha do aborto?
Assinado: Matilde da Vila Nova Esperança.”

Matilde, primeiro que lembro-me muito bem que você disse que naquele dia não teria problema. Segundo, que eu estava bêbedo. E, terceiro, o Chicão já contou pra todo mundo no bar que o filho é dele.

“Uirapuru, o que você queria ser quando crescesse?
Assinado: João Seu Fã.”

João Seu Fã, queria ser escritor e diretor de cinema. Continuo querendo ser, e crescer também.

“Uirapuru, eu queria uma casa no campo e com cabras solenes pastando no jardim.
Assinado: Anônimo.”

Anônimo, azar o seu.

“Uirapuru, o que você acha da proposta de tapar os rios Tietê e Pinheiros para fazer uma free-way?
Assinados: Galera da Puc.”

Galera, acho que é idéia de algum demente.

“Uirapuru, não aguento mais. Minha mulher me acha um chato, minha mãe me acha um chato, o pessoal do CVV me acha um chato e nem os atendentes do McDonalds me falam boa noite. O que eu faço, Uirinha?
Assinado: Mancebo triste.”

Faz um blog. Uirinha é a %¢8&#@ da ^34$£/. Vaza.

“Senhor Uirapuru, a que o senhor atribui o fim da União Soviética? E do Império Romano? Há água em Marte?
Assinado: Academia Joseense de Letras”.

Acadêmicos, o Stalin não fez o aero-trem. Uma pergunta de cada vez, sai, pega a fila e volta mais tarde.

“Uirapuru, você me ama de verdade?
Assinado: Tua Dolores.”

Não.

“Por favor, aqui é o site do Partido da Causa Operária?
Assinado: Leon Trotsky.”

É o terceiro www à esquerda, logo depois do Vanilla Café da Antônio Carlos.

“Uirapuru, qual é pra você “A” mulher do cinema?
Assinado: Curiosa.”

Betty Boop.

“Uirapuru, você reparou que na Autopsicografia o Sr. Fernando Pessoa chega a dizer que
                          
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração

Assinado: Poeta.”

 
Reparei.

“Uirapuru, você não acha que um gay tem que ser muito macho pra beijar um homem na boca, na rua?
Assinado: Oscar Wilde do Jardim Ângela.”

Oscar, taí uma questão interessante. Ei, por que você está perguntando isso pra mim?

“Seguinte, Uirapuru, cê tá louco, maluco? Caiu tua casa, malaco, vai ferver o barraco, tá sabendo? Te liga e fica esperto, tem vorta.
Assinado: Chicão.”

Cai fora, Chicão. E ó, tem mais, não vou te pagar mais cerva. Vai pra casa cuidar da filharada.

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Por hoje é só. Vai começar o jogo. Boa sorte pra nós, inté.

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Sugestão musical: Adagio de Spartacus e Phrygia, de Aram Khachaturian.
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Boa tarde!

Interrompemos nossa programação normal para

September 20, 2008

Sou fã do horário eleitoral. Adoro. Por mim teria um canal vinte e quatro horas por dia, todos os dias do ano, só para o horário eleitoral. Os três meses atuais são pouco, e só de dois em dois anos muito pouco. Bem entendido, refiro-me apenas aos programas televisivos de candidatos, e programas tosqueira. Eventual programa que tenha algum conteúdo cairá tão mal como cantor de qualidade em programa de calouros. Quem está preocupado com a música?
Seria interessante comparar as declarações dos candidatos e candidatas conforme as estações do ano, por exemplo.
Só os temos, os candidatos, durante fins de inverno e comêço de primavera. Que nos diriam no outono? Como reagiriam ao verão?
Com mais tempo, teríamos mais debates, com mais participantes e com regras mais flexíveis. Não há nestas eleições, por exemplo, espaço para debates entre candidatos a vereador na televisão! Quanto perdemos nós!
Atualmente, nos debates que assistimos, quando um candidato pergunta pra outro candidato a regra é assim:
- o candidato que pergunta tem 30 segundos para perguntar;
- o candidato que responde tem dois minutos para responder;
- o candidato que perguntou tem um minuto para a réplica (acho tão legal esta expressão “para a réplica”);
- o candidato indagado tem um minuto para a tréplica (palavra estranha!).
Então, com mais tempo, teríamos algo assim:
- o candidato que pergunta tem duas horas para sua questão;
- o candidato que responde tem o tempo que quiser para responder, ou não, podendo inclusive insultar o perguntador.
Réplicas, tréplicas, quáplicas e quinplícas serão permitidas à vontade, sem implicância.
Como temos eleições de dois em dois anos para os mais diversos cargos, candidato que ficar pulando de cargo vai ter no mínimo dois anos para fazer campanha, não é bom? E senador eleito, de acordo com a atual regra do jogo, vai ter oito anos pra campanha da reeleição, olha que legal!
Outra vantagem é que nestes canais permanentes – sim, no mínimo dois, um pra tv aberta e outro na tv paga - os candidatos derrotados poderão voltar para dizer porque é que perderam, nas suas opiniões. E vão debater com os vencedores de novo!
Deixa dar um exemplo para voces, um debate imaginário de candidatos a prefeito de São Paulo, por exemplo.

“O mediador:
 - Sr. Candidato Uirapuru, para quem o senhor dirige sua pergunta?
 - Para mim mesmo.
 - Pois não, o senhor tem duas horas para sua pergunta. Por favor avise quando começar a responder para podermos medir o tempo.
 - Na verdade quero dar a resposta primeiro.
 - Neste caso, fique à vontade, mas lembre-se de avisar quando acabar a resposta e começar a pergunta, que terá então o tempo máximo de duas horas.
 - Este tempo de nossa conversa é o quê?
 - É tempo que o senhor está perdendo e tomando da gente. Vai!
 - Sim, obrigado. Muito bem, amiga cidadã, amigo cidadão, minha proposta sobre o trânsito é muito simples. Simples demais, simplérrima, um nojo de simples, chego a me rir de tão simples, hahahahaha. Mas vejam, simples e não simplória. E o que é esta proposta? É a proposta dos dois “Rs”. Rodízio Radical. Atualmente o rodízio é feito conforme os algarismos finais das placas dos veículos e numa região abrangendo alguns quilômetros à volta do centro da cidade. Pra começar, o rodízio vai vigorar na cidade inteira. E nem estacionado na rua poderá ficar. Nem na garagem, a menos que haja um pano cobrindo. Ou jornal, não muito velho.
Hoje, a cada dia da semana – de segunda à sexta – são proibidos sob pena de multa circularem automóveis conforme os algarismos finais de suas placas, sempre em par de dois, tipo 1 e 2 na segunda-feira, 3 e 4 na têrça, etc…
No RR todos os automóveis, de todas as placas, estão proibidos de circular de sábado até quinta-feira. Na sexta-feira estão todos liberados. Eu não acho aconselhável saírem de automóvel na sexta, mas estará liberado. Mais: vamos acabar com a indústria de multas. Infrações de trânsito não acarretarão multas. Seus praticantes serão abatidos a tiros. Atiradores de elite estarão a postos em altos prédios, vielas inesperadas e frondosas árvores em formosas pracinhas à busca dos malvados infratores. Com isto vamos resolver também o problema dos moto-boys, de uma vez por todas. E dos flanelinhas, que passarão a engrossar o exército que faz malabares e vende biscoitos, água e chocolates, destinados agora a pedestres. Sim, porque na ante-câmara do inferno que esta cidade vai se tornar na sexta-feira, os motoristas serão seus próprios flanelinhas, porque não vão conseguir andar com seus carros, os teimosos, eu avisei, não avisei?
Mais: farei um convênio com a Secretaria de Cultura para propiciar entretenimento para os incautos motoristas que saírem às ruas com seus veículos nas sextas-feiras. Porque estes ficarão horas, ah, como ficarão, horas no ultrahipermegagiga-congestionamento. E como passar o tempo? Simples: a Prefeitura providenciará mega-fones em cada poste de iluminação, que retransmitirão, direto de nossos estúdios, narrativas na íntegra de grandes filmes do cinema. Um sujeito, pode ser o prefeito, no caso eu, ficarei contando um filme pra quem tá no trânsito, talvez até cantarolando partes da trilha sonora, assim será.”

E isto é só o comêço da “intervenção” do candidato. Como diz a canção, “E o barquinho vai, e a tardinha cai…”

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Voces eu não sei, mas eu não votaria em mim. Aliás, taí um bom slogan que dou de graça para qualquer candidato: “Eu voto em mim.”

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Sugestão musical: “Nessun Dorma”, Turandot, com Pavarotti.

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Boa noite!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hino

September 19, 2008

Nos meus tempos de ensino fundamental, que na época chamava-se primário, e depois no que então chamava-se ginásio, e entre estes havia um ano chamado de admissão ou era depois do ginásio, nem me lembro mais, aprendemos que as cores da bandeira representavam o verde de nossas matas, o amarelo de nossas riquezas, o azul de nossos céus e o branco da esperança.

Ano passado vim a descobrir que tudo isto era uma tremenda cascata, veleidade poética de quem quis justificar a escolha de nossas cores, que tiveram sua verdadeira origem nas cores das bandeiras das famílias nobres européias que fizeram aliança para partilhar as terras recém-descobertas, esta parte da América.  Alianças firmadas por casamentos e só me resta desejar que os nubentes tenham tido algum amor um pelo outro, melhor pensar assim.

Fomos ensinados a respeitar e tentavam a todo custo nos ensinar a amar nossos símbolos pátrios, dentre eles o hino. Sempre tive uma queda especial pelo Hino da República, a expressão “pálio de luz desdobrado” me cativou e a palavra “liberdade”, entoada duas vezes, chamada a intervir, a nos amparar, acho que já falava para algum canto oculto da minha consciência adolescente.

O hino da independência e o da bandeira prestavam-se a inúmeras paródias, a maioria de humor chulo, que a meninada de minha época apregoava na hora do recreio, baixinho, acho que isto fez eles  perderem muitos pontos- os hinos, os meninos nunca tivemos ponto algum.  O da Marinha sempre fazia-me lembrar algum filme da Disney, ficava parado com a imagem de um cisne branco em águas tranquilas e não prestava atenção no resto. Não nos ensinaram outros.

Toda semana a gente era obrigada a cantar o Hino Nacional. Acho que por isto é que desde cedo achei ele antipático. E demorado, puxa, como ele é demorado. Não sei se as versões completas dos hinos dos demais países são as que gente ouve nas disputas esportivas, mas sei que o nosso teve que ser encurtado à fôrça para esta finalidade.

Depois que o fim da mais recente escancarada ditadura permitiu um exame menos apaixonado de todas estas coisas, percebi que nosso hino tem uma melodia muito bonita. A letra teria mesmo, na minha opinião, de ser alterada, aquele “deitado eternamente em bêrço esplêndido” compromete todo o resultado. É algo que teria que ter fim, como o “ordem e progresso” da bandeira, por alusão ao ridículo. Caramba, é só ordem e progresso que nós queremos? E se não tiver nada escrito na bandeira, isto quer dizer que é “desordem e retrocesso”? Não quero comprar nenhuma briga com a turma do positivismo nem tenho bagagem para tal, mas está mais para lema de uma empresa comercial que para a expressão dos anseios ou da realidade de uma nação. Acho uma grande bobagem este dístico. Bem, voltando ao hino, tirando esta parte da letra, a melodia é sim bonita. 

Poderia ser menos banalizada sua reprodução. Adornos especiais para momentos especiais. Executou-se e executa-se o hino para qualquer coisa, desde abertura de uma disputa esportiva menor até inauguração de bebedouro em algum bairro do centro ou da periferia. 

Confesso que me emociono, às vêzes, quando ouço o hino nacional, em certas ocasiões muito especiais. Ou quando o cantei, em ocasiões da vida adulta mais especiais e perigosas ainda. E confesso também que certa feita em Brasília, ao ver a enorme bandeira nacional tremulando, chorei em silêncio, a danada é bonita.

Voltando aos hinos, hinos de países, os três mais lindos para mim são o da França, o dos Estados Unidos e o da Inglaterra, este último em primeiro lugar. Estou falando apenas das melodias, deixemos as letras pra lá. A resistência durante a segunda guerra mundial, na Europa, criou hinos maravilhosos, letra e música, as canções dos partisans.

Cada um de nós tem um hino, não tem? Não estou falando da trilha sonora a que me referia noutro post, mas sim de um hino. Também tenho o meu, ou melhor, vou trocando de vez em quando, ou eles é que me procuram um de cada vez, não sei ao certo.

Meu hino desde o inverno passado é e não me perguntem o porquê porque não sei responder, este:

“Eu ando pelo mundo prestando atenção
em cores que eu não sei o nome
cores de Almodóvar
cores de Frida Kahlo, cores
passeio pelo escuro
eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
e como uma segunda pele, um calo, uma casca,
uma cápsula protetora
eu quero chegar antes
pra sinalizar o estar de cada coisa
filtrar seus graus
Eu ando pelo mundo divertindo gente
chorando ao telefone
e vendo doer a fome nos meninos que têm fome

Pela janela do quarto
pela janela do carro
pela tela, pela janela
(quem é ela, quem é ela?)
eu vejo tudo enquadrado
remoto controle

Eu ando pelo mundo
e os automóveis correm para quê?
as crianças correm para onde?
transito entre dois lados de um lado
eu gosto de opostos
exponho o meu modo, me mostro
eu canto para quem?

Pela janela do quarto
pela janela do carro
pela tela, pela janela
(quem é ela, quem é ela? )
eu vejo tudo enquadrado
remoto controle

Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
minha alegria, meu cansaço?
meu amor cadê você?
eu acordei
não tem ninguém ao lado

Pela janela do quarto
pela janela do carro
pela tela, pela janela
(quem é ela, quem é ela?)
eu vejo tudo enquadrado
remoto controle”

 

Obrigado, Madame Adriana Calcanhoto.

Ah, por falar na autora do meu hino, quando tiverem um tempinho, visitem http://www.adrianacalcanhotto.com/mare/index.html#

Que site bonito!

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Sugestão musical: “Chão de Giz”, Zé Ramalho.

O Monolito Negro de 2001

September 17, 2008

A edição de 22 de Junho de 1872 do Daily Cronicle trouxe uma curiosa nota em sua página de despachos internacionais. Sob o título “Feliz Coincidência”, informa-nos o sempre austero matutino de Dublin que (em fiel tradução):
 ”Nosso repórter William Doyle, convalescendo no Hospital Militar em Bombaim, travou conhecimento com Vladimir H. Petriin, seu agora companheiro de quarto. Mr. Petriin revelou-se, como William, estudioso do incêndio da antiga Biblioteca de Alexandria. Informa-nos William Doyle que Mr. Petriin assegurou-lhe saber o paradeiro de uma dezena de livros-objetos da Biblioteca, dentre os quais o lendário “Vidas em Nossos Muitos Mundos – Nossas Partidas, Nossas Viagens, Nossas Estadas, Nossas Voltas”. William Doyle informa ainda que estão assentes, ele e seu companheiro de quarto, de empreender uma viagem até aquele local, que por enquanto sabe William apenas ser na Ilha de Chipre, tão logo recebam alta.”
A curiosidade está no fato de que jamais alguém com o nome “William Doyle” fez parte dos quadros do Daily. Nem jamais houve qualquer nova menção do jornal ao assunto. Estudiosos da imprensa irlandesa chegaram a pesquisar nos cartórios de registros de nascimentos irlandeses se alguma vez alguém com este nome foi registrado e o máximo a que chegaram é quem em 1848, aos 17 de Janeiro, veio ao mundo William Deyle, filho de Mary Deyle e de pai não informado. Seria o mesmo? De qualquer forma não constava como empregado do Daily Cronicle.
O espantoso silêncio do em todos os demais temas que abordava sempre exato e exaustivo Daily Cronicle causou e causa espécie nos meios acadêmicos. Durante muito tempo uma boataria ensurdecedora correu as universidades do mundo inteiro, do que se valeram espertalhões para ganharem alguns trocados publicando em editoras de reputação duvidosa livretos com as mais variadas teorias conspiratórias, que chocavam pelo absurdo e que por isto mesmo ganharam alguma fama pela sua comicidade. Bobagens à parte, restou a curiosidade não saciada e que agora volta à tona com a revelação, pelo “Orient Star”, de Shangai, que uma expedição está de partida para a Ilha de Chipre à busca de vestígios da permanência de livros-objetos da antiga Biblioteca de Alexandria.
A expedição, internacional, está composta de filólogos, historiadores e alguns outros cientistas. Está sendo financiada por um grupo de investidores de diversos países que pediram sigilo sobre suas identidades. Não há garantia de divulgação universal de seus resultados – ou da falta de. A única informação concreta sobre o empreendimento obtida pela reportagem do Orient Star, e que foi autorizada a divulgar, é que não está o projeto ligado a nenhum governo.
Tudo o que cerca esta história é cheia de mistério. Se não há sequer aceno que poderemos saber se algo sobrou mesmo do incêndio da Biblioteca, por que especular sobre o assunto? Uma jogada publicitária? Mas, se for isto, parece ser um investimento de alto risco para duvidoso e pouco retorno. Afinal, não é por nada não, mas fiquei sabendo disto tudo há meses e só estou lendo agora no Brasil neste meu blog mesmo, parece piada.
Piada mesmo, e só rindo pra não morrer de medo, é que se a gente procurar em qualquer mecanismo de busca da internet, qualquer, pode ser o Google, o Yahoo, o Clusty, o Exalead ou este novo, o Cuil, não vai encontrar absolutamente nada sobre o assunto. No entanto, e não estou dizendo ouvir estrelas, asseguro que todas estas informações me vieram da internet, pena que não salvei. A história toda parece com aquele verbete único da edição única da Britannica que Jorge Luis Borges encontrou em um de seus contos.
Um dos trechos de “Vidas em Nossos…” teria sido a base para Platão divulgar sua – agora nossa – Atlântida. Muitas e muitas outras histórias são atribuídas a este mítico livro. Excertos (mal) copiados teriam sobrevivido ao terrível incêndio, chegando às mãos de místicos de todos os tempos e lugares. Sua autoria, se é que este livro existiu, ou existe, é totalmente desconhecida.
Quando conversei sobre o assunto com um professor de Filosofia daqui de São José, sua reação me fez lembrar aquela frase que não sei traduzir direito: “Eu não acredito em fantasmas, ah, mas que eles existem, isso existem!”.
Uma de suas (do livro) “lições” teria sido aproveitada num livro que infelizmente esqueci o nome, fez sucesso, que diz que quando alguém descobre exatamente de onde veio o mundo e para que foi feito ele imediatamente acaba e outro mundo mais incompreensível é imediatamente criado; há quem diga que isto já ocorreu.
Em outra passagem constaria a revelação que em algum momento de nossa aventura humana na Terra descobriríamos como viajar no tempo, tanto para o futuro como para o passado. Contaria ainda que isso já está ocorrendo.
Em um outro seu trecho diria o livro que viemos de certas estrelas, que algum dia voltaremos para lá.
Já uma outra sua interpretação entende que já voltamos.
Não, gentil público leitor, nada diz o livro sobre como ganhar na mega-sena, ao que eu saiba, e desta maneira amena, prosaica e voltando à terra termino o artigo.

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Desculpem a ausência.

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Sugestão musical: Juliette Gréco, “Detournement”.

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AVISO: Neste Blog pode-se fumar.