Enquanto aguardo Santos versus Goiás, nosso difícil compromisso logo mais às seis e vinte da tarde, tentarei colocar em dia a correspondência para o blog, enquanto Corinthians e Ponte Preta duelam com transmisssão ao vivo pela televisão e a rádio Classic Fm, de Londres, contribui para o clima adequado para tal mister.
É até poético acrescentar que a tarde não está tão fria e chove lá fora.
Vamos lá.
“Uirapuru, o que você acha do aborto?
Assinado: Matilde da Vila Nova Esperança.”
Matilde, primeiro que lembro-me muito bem que você disse que naquele dia não teria problema. Segundo, que eu estava bêbedo. E, terceiro, o Chicão já contou pra todo mundo no bar que o filho é dele.
“Uirapuru, o que você queria ser quando crescesse?
Assinado: João Seu Fã.”
João Seu Fã, queria ser escritor e diretor de cinema. Continuo querendo ser, e crescer também.
“Uirapuru, eu queria uma casa no campo e com cabras solenes pastando no jardim.
Assinado: Anônimo.”
Anônimo, azar o seu.
“Uirapuru, o que você acha da proposta de tapar os rios Tietê e Pinheiros para fazer uma free-way?
Assinados: Galera da Puc.”
Galera, acho que é idéia de algum demente.
“Uirapuru, não aguento mais. Minha mulher me acha um chato, minha mãe me acha um chato, o pessoal do CVV me acha um chato e nem os atendentes do McDonalds me falam boa noite. O que eu faço, Uirinha?
Assinado: Mancebo triste.”
Faz um blog. Uirinha é a %¢8&#@ da ^34$£/. Vaza.
“Senhor Uirapuru, a que o senhor atribui o fim da União Soviética? E do Império Romano? Há água em Marte?
Assinado: Academia Joseense de Letras”.
Acadêmicos, o Stalin não fez o aero-trem. Uma pergunta de cada vez, sai, pega a fila e volta mais tarde.
“Uirapuru, você me ama de verdade?
Assinado: Tua Dolores.”
Não.
“Por favor, aqui é o site do Partido da Causa Operária?
Assinado: Leon Trotsky.”
É o terceiro www à esquerda, logo depois do Vanilla Café da Antônio Carlos.
“Uirapuru, qual é pra você “A” mulher do cinema?
Assinado: Curiosa.”
Betty Boop.
“Uirapuru, você reparou que na Autopsicografia o Sr. Fernando Pessoa chega a dizer que
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração
Assinado: Poeta.”
Reparei.
“Uirapuru, você não acha que um gay tem que ser muito macho pra beijar um homem na boca, na rua?
Assinado: Oscar Wilde do Jardim Ângela.”
Oscar, taí uma questão interessante. Ei, por que você está perguntando isso pra mim?
“Seguinte, Uirapuru, cê tá louco, maluco? Caiu tua casa, malaco, vai ferver o barraco, tá sabendo? Te liga e fica esperto, tem vorta.
Assinado: Chicão.”
Cai fora, Chicão. E ó, tem mais, não vou te pagar mais cerva. Vai pra casa cuidar da filharada.
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Por hoje é só. Vai começar o jogo. Boa sorte pra nós, inté.
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Sugestão musical: Adagio de Spartacus e Phrygia, de Aram Khachaturian.
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Boa tarde!
September 21, 2008 at 4:31 pm
rá.
September 23, 2008 at 12:05 am
menino, eu nessas cartas nem pio