Voces viram a Fal no programa “Sem Censura”, da TV Brasil? A gente fica sempre querendo que alguém que a gente gosta, nestes debates, tenha mais espaço, não é? Uma coisa me chamou a atenção, ela estava muito à vontade. Sei lá se porque a vi pessoalmente muito pouco – para meu prejuízo e sua (dela) sorte, diga-se - pareceu-me ser a mesma pessoa com quem dividi alguns goles de café, algumas baforadas em cigarrilhas, algumas palavras, algumas risadas e algum silêncio no silêncio maior que é a noite de São Paulo. Se a Fal estava “de pose” no programa da Tv, então ela sempre ficou “de pose” comigo. Fal, se estiver lendo, já deve ter deduzido que estou brincando. Você foi ótima e te confesso que estava um pouco receoso pensando que você talvez ficasse nervosa e não se saísse bem. Se ficou nervosa, disfarçou legal.
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Tenho duas observações sobre esta crise de bolsas caindo pelo mundo, alguns grandes bancos estrangeiros quebrando – é bem o têrmo, parecem ser mesmo brinquedos nas mãos de seus donos – e toda uma maratona de comentários de todas as mídias sobre o assunto. As duas são uma gaiata e uma mais séria.
A mais séria é que independente da ideologia de quem analisa, não dá pra deixar de constatar que quem sempre apregoou as virtudes e o melhor remédio que sempre foram o Livre Mercado, sábio, sóbrio, implacável com a ineficiência, desumano talvez mas infalível em qualquer dos prazos – curto, médio e longo – hoje vê este Livre Mercado implorar pelo socorro do Estado, este vilão maior na visão daqueles fãs do neoliberalismo. Um socorro trilionário nos Estados Unidos, estatização de dívidas e bancos nestes mesmos Estados Unidos e na Europa, é o que está nas manchetes. Parece que o rei está nu, e passando frio.
Antes de falar a gaiatice, tem mais uma reflexão. Na minha ignorância, entendo o dinheiro como um símbolo. Estas notas, os saldos bancários, os valores em bolsa, os valores das commodities, todo este mundo financeiro é um símbolo, uma representação do mundo econômico. Explicando melhor esta minha visão (de ignorante, lembro): uma empresa vale suas propriedades, aí composto tudo o que ela tem, nem mais nem menos que isto. Quando seu valor sobe muito acima de seu valor real na bolsa de valores ou quando cai muito abaixo do seu valor real entramos no mundo da fantasia, um castelo de cartas que uma brisa derruba. Repararam nas cifras que estão circulando pelos noticiários? Trilhões de dólares para lá, trilhões de dólares para cá. Não há riqueza no mundo que corresponda a este valor. Às vezes me parece que estamos na Matrix e com o maior medo que apareça a equipe do Morpheus para nos abrir os olhos. Tomara que se isto ocorrer não doa tanto quanto doeu pro Neo, ou se a dor for intensa que pelo menos passe logo.
Falei em gaiatice. Bem, não deixa de ter um certo fundo de verdade. Leio que de uma semana pra cá todo dia as bolsas caem em média cinco, sete, dez por cento. Ora, não há razão para pânico. Vejam, mesmo que o índice caia cinquenta por cento por dia, jamais chegará ao zero, façam as contas, é impossível, matematicamente, porque não há conta de divisão que resulte em zero se o dividendo não for zero. O máximo – digo, no caso o mínimo, hehe – a que poderíamos chegar seria ao UM. Daí, se faz-se muita questão, partamos para os algarismos depois da vírgula e será infinito que nem o Pi, lembram-se do Pi? Portanto, tranquilizem-se, se estamos a humanidade inteira caindo do último andar de um prédio, saiba todo mundo que não tem chão.
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E lá estamos indo para o fim das eleições municipais deste ano. Nas maiores cidades do país teremos segundo turno, na maioria a coisa já foi decidida. Aqui em São José meu candidato a prefeito não ganhou, minha vereadora foi eleita. Não sei em quem votaria no Rio e em Belo Horizonte, independentemente do fato de continuar filiado ao PT (desde 1982). Leio que no Rio o PT vai apoiar o Paes, mas talvez eu fosse de Gabeira, autor de uma das frases mais lindas que já li em política, foi ontem no debate promovido por “O Globo”, voces viram? Não só pela frase, é claro, mas por achar aqui de longe que ele representa uma candidatura progressista. Bom, digo talvez, se tivesse a oportunidade de votar iria me informar bastante pra saber dos compromissos de cada um e quem garante estes compromissos. Em BH não faço a menor idéia quem escolheria. Em Salvador já me dou por satisfeito por mais uma bordoada que levou o clã de ACM, qualquer um que levar ficará de bom tamanho. Em Porto Alegre votaria tranquilamente na candidata do PT, a Maria do Rosario. Em São Paulo iria de Marta. Ela até agora foi infeliz nos debates, não sei se na campanha de rua se deu melhor, em explicar esta idéia magnífica que são os CEUs. Se alguém estudar este projeto verá que é muito mais que uma “escolona”, como o governo Serra-Kassab resolveu entender. Do Kassab aplaudo esta campanha “Cidade Limpa”, que surpresa agradável. Se a Marta ganhar, o que não acredito, tomara que continue com esta campanha. Que notícia gostosa foi a da vitória da prefeita de Fortaleza, a Luisiane. Em sua eleição ganhou da cúpula do PT. Em sua reeleição ganhou da família Gomes. Parafraseando o título brasileiro do filme, “Nunca a Vi, Nunca a Ouvi, Nunca a Li, Sempre a Amei”.
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Pra terminar, uma visão muito particular e intimista da política. Filiei-me ao PT porque naquele comêço dos anos 80 representava o progresso das relações na sociedade. Representava mais justiça social, representava firmeza em construir um Brasil e um mundo melhores, sem seguir cartilhas de doutrina de quem quer que seja. Acho que, com todas as mazelas, ainda representa, ainda é a melhor chance do Brasil. Mudamos muito, o Brasil, o PT, e eu. Pra mim partidos políticos são, como tantas coisas na vida, ferramentas que você usa quando são úteis. Não sei se as ferramentas atuais, estes partidos que aí estão, representam seu papel a contento. Numa reforma partidária pra valer, honesta, muita gente do PT, do PSDB, do PMDB, com tantos outros estariam num mesmo partido porque do mesmo lado já estão faz tempo. Às vezes há disputas mas são no fundo dos mesmos projetos. No Brasil de hoje só há espaço pra duas visões (partidos): uma progressista, pra universalizar o acesso da sociedade ao que esta sociedade produz e uma para restringir este acesso, preservando privilégios.
Desculpem-me se me alongo nestas discussões políticas, mas adoro este tema. Não consigo ficar longe. Acho que não dá para se ficar. Não moramos sós, sempre estamos em sociedade. Estamos sempre fazendo política mesmo que não saibamos. Às vezes pagamos o prêço de nos omitirmos da discussão e isto não nos isenta da responsabilidade dos resultados. Nem alguém que mora num deserto, e só, estaria desobrigado desta atividade. Não há lugar no planeta Terra que a mão do homem não alcance, para o bem ou para o mal. Aproveito e arremato o tema com mais uma opinião, é para provocar discussáo no bom sentido da expressão, discussão para (eu) estudar e aprender: quem vota atualmente nulo ou branco ou abstém-se está dando um cheque em branco para ser preenchido e descontado por alguém que, e aí só resta rezar, tomara que acerte, a conta será dividida por todos, mais cedo ou mais tarde.
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Sugestão musical: Prelúdio da Suite número 1 para Cello, de Bach. No You Tube encontrei versões com Yo-Yo Ma, Pablo Casals, Rostropovitch, Antonio Meneses, todas lindas.
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Bom dia!
October 11, 2008 at 1:24 am
Também vi a Fal e também acho que não foi bem aproveitada,se bem que estava trabalhando e nem consegui acompanhar direito.Quanto às bolsas e à política,fiquei satisfeita em ter aprendido e ter descoberto que existem pessoas,principalmente com relação às bolsas,consegue traduzir o que meu pensamento intui e não sabe organizar e manifestar em palavras.Um abraço.
October 13, 2008 at 12:39 pm
Querido Mauro, qual foi a frase de gabeira???
October 13, 2008 at 6:58 pm
Mauro, lindo, a culpa da Fal não ter atualizado o blog logo após o lançamento na Prefácio foi dos fãs, que não a deixaram ir pro hotel e a arrastaram para a farra. Tadinha, né?
Você disse tudo, Mauro: por que se preocupar com a queda, já que não há chão? Hahahahahahhahaha…
Eu amo o Gabeira. E saiba que isso é pra mim é muito, tendo em vista ser ele político.
October 13, 2008 at 9:11 pm
Mauro!
A Fal estava ótima. Respondeu com elegancia, estava tranquila. Se fosse eu, roia as un has no ar hheheh, acho que nem falava… Ela foi perfeita. Acho que a Leda não estava muito informada do fenomeno que é a Fal e seu Drops. No mais eu concordo com voce, se laestava nervosa disfarçou muito bem hehe. Que bom que voce tá dando os ares da graça de novo..
Abraço
October 17, 2008 at 5:32 pm
Mauro,
Vi de novo a entrevista da Fal e quanto mais eu vejo mais acho que foi muito legaL. Moça crassuda! Acho que o nervosismo é natural assim como a falta de conhecimento que a Leda tinha do mundo dos blogs. Normal. Até ano passado, quando conheci o Dops, eu nem tinha idéia do que era um blog. Agora estou uma devoradora voraz dos mesmo e tenho até unzinho, que é zinho mesmo porque não sou escritora, só falo de coisas que sinto. Antes escrevia em papéis que ficam numa pasta imensa, depois no computador, agora prá quem quiser me ler, hehe, tempos modernos. Depois vc vai lá me visitar e nem bota reparo, não. É só sentimento meu.