Uma Semana Intensa II

October 21, 2008

Antes de prosseguir com algumas reflexões sobre a semana passada, uma errata: o debate que ocorreria, que falei seria na Record, seria como foi na Bandeirantes; num parágrafo engoli duas palavras, bobagem que prejudicou o entendimento de uma frase, coloco-a agora corretamente: “A impressão que Marta não teve participação na escolha desta linha de propaganda – linha que aliás não houve e ficou apenas nestas duas perguntas mesmo – foi reforçada por notar que algumas pessoas de notória oposição à Marta, jornalistas com blogs de notícias políticas de grande audiência, apressaram-se, antes mesmo da gente até refletir sobre a propaganda, em divulgar que Marta participou da escolha do material e que seria impossível que ela não o fizesse.”; acho que tem mais um errinho por engolir palavra em outro parágrafo mas não compromete a compreensão, sigamos com nossa programação normal.

Começo falando sobre os dois episódios outros marcantes da semana passada pelo fim oficial deste já abordado. Chamo de fim oficial porque só poderia ocorrer como realmente ocorreu: um pedido público de desculpas da candidata Marta, no debate de ontem este sim na Tv Record, ao candidato Kassab, mesmo afirmando que não sabia do conteúdo da propaganda e ressaltando que ficou espantada com a dimensão que o caso obteve. É o fim oficial mas talvez não seja o fim de fato. Sempre haverá quem duvide das palavras de Marta ou faça exploração eleitoral do fato, ou melhor, não é que “sempre haverá” e sim que “provavelmente haverá”. Cada qual vai se ver numa situação, talvez, de a priori “querer” acreditar ou “querer negar”. Neste caso só ela, o marqueteiro e algumas pessoas muito próximas deste marqueteiro sabem a cristalina verdade. É uma questão de escolha. De minha parte escolho acreditar na candidata.

Como escolho dar uma chance ao Governador Serra, sobre os outros dois episódios, este é o “gancho” entre os dois assuntos.

Pra não iludir ninguém nem dar a mais leve impressão que esteja querendo fazer isto, de novo deixo bem claro que continuo votando e filiado ao PT. Talvez dê para colocar nestas palavras: não é a ferramenta perfeita com a qual eu sonhava mas é a melhor com que posso contar no momento, para construir um país melhor para todos viverem. Mais: se for para o PSDB ganhar as eleições em 2010, que seja com o governador de Minas Gerais, o Sr. Aécio Neves, que me passa aqui de longe a impressão de ser uma pessoa de diálogo, não arrogante e também competente. Se estiver errado por favor alguém melhor informado me corrija. Deixo então bem claro que acho que uma eleição do Sr. José Serra como presidente do Brasil seria a exportação dos problemas de São Paulo para todo o país. Segurança pública, por exemplo, pra ficar no tema que estamos tratando.

Mas digo que escolho dar (mais) uma chance para o Governador Serra é porque ele tem, como Marta teve, a oportunidade de voltar atrás, apontar claramente para a sociedade o que pensa, mesmo que não seja a pessoa diretamente responsável pelo que aconteceu.

Explicando: no auge de um movimento grevista que já durava um mês, com negociações emperradas desde o primeiro semestre, os policiais civis de São Paulo, que têm os piores salários do país (inferiores a de seus colegas de outros governos do PSDB, informam os jornais) fazem uma passeata para que uma comissão de negociadores seja recebida pelo governador. A passeata é barrada, há troca de tiros, feridos de ambos os lados, duas polícias que brigam – e não duvidem, sequelas ficarão independente do resultado da campanha salarial – numa praça de guerra, erros dos dois lados e o que ouvimos do Governador Serra? Uma das suas frases foi, a que mais destaque obteve da mídia, de que foi um movimento político-eleitoral patrocinado pela Fôrça Sindical, pela Cut e pelo PT. Dizer que os manifestantes estavam usando um carro de som da Força Sindical é prova que a movimentação foi arquitetada por esta central sindical? Dizer que um deputado do PT estava entre os manifestantes é prova também da responsabilidade do PT? Sem contar que é difícil entender como é que a adversária de Kassab colheria algum fruto eleitoral num conflito entre duas polícias estaduais. Se o eleitorado atual de Kassab não se importa, como parece não se importar, com o fato dele ser filiado ao DEM, porque se importaria com o modo como Serra trata seus policiais, categoria aliás que não goza da simpatia da população?  Mesmo que isto fosse verdade, que é cabível acreditar que os policiais civis de São Paulo todos usam estrelinhas vermelhas no peito, que de repente passaram a seguir orientações dos baderneiros e insensíveis e aves de mau agouro petistas, mesmo que todo este absurdo fosse real, pergunto como outros e com muito mais talento, por exemplo, Luis Nassif em seu blog, perguntaram: e daí?  Atribuir a “culpa” da iniciativa do movimento a “A”, “B” ou “C”, explica, e só explica, não resolve. Se foi tudo isto mesmo, qual é então a solução? Não há? Se o Governador Serra acredita mesmo que isto é verdade, o Governador exige então a rendição completa dos policiais, que esqueçam suas reivindicações salariais? Voltando ao dia da manifestação, por que o Governador Serra, ou seu secretário de segurança, ou algum dos seus secretários com poder de representá-lo não recebeu uma comissão dos grevistas? Ora, converse com os grevistas e, se for o caso, ao mesmo tempo denuncie eventual exploração político-eleitoral do episódio. Escondeu-se o Governador numa teoria conspiratória de tanto gosto da opinião pública para continuar com sua disposição de intransigência.

Qual é a oportunidade que se apresenta ao Governador Serra? A de mostrar-se grande e desculpar-se perante as duas centrais sindicais e a um partido político por atribuir-lhes, por haver feito isto,  responsabilidades para as quais não há informações que as comprovem.

Isto é difícil. Sem dúvida. Difícil é como difícil deve ter sido também para Marta desculpar-se de público e a  uma semana das eleições. Para atenuar-lhe o desconforto ele poderia lembrar-se que não está disputando eleições, ele pessoalmente, nesta semana – por mais que tente-se enxergar tudo isto como uma prévia de 2010 não dá pra concluir isto assim tão graciosamente –  e que tal gesto até ajudaria seu candidato. Poderia mirar-se no exemplo do Presidente Lula, que enfrentou uma série de greves no seu governo, de funcionários públicos, agora mesmo está com as dos bancários do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, enfrentou não sei quantas do pessoal dos Correios e não se viu em momento algum colocar a culpa no PSDB, ou no DEM, ou em qualquer partido que seja.

O Governador Serra está construindo uma imagem cada vez mais sólida de uma pessoa intransigente. Tem esta oportunidade de mudar esta imagem.

A segunda chance refere-se à tragédia de Santo André. Fiquei quase azul do tanto que li a respeito do assunto, saltando de jornal em jornal e de blog em blog. Dos colunistas aos comentaristas, li de tudo, tudo quanto é tipo de opinião. Cheguei a algumas conclusões, a primeira foi de que teríamos que escolher exatamente sobre o que nós, que não vivemos as vidas das duas meninas, do criminoso, das famílias, dos policiais diretamente envolvidos, dos profissionais de imprensa idem, teríamos que escolher exatamente sobre o que nós poderíamos concluir. Realmente é muito fácil resolver problemas policiais depois que eles terminaram. Se isto, se aquilo. Também é fácil procurar alguma falha no comportamento das famílias, ou no das meninas, uma das coisas que mais li é que tudo começou porque uma garota de doze anos começou a namorar. Acho que há limites sobre o que a gente pode escolher expressar opiniões. Penso que se meter nos assuntos das famílias, ou entrar em detalhes sobre como negociar com o rapaz são ou descabidos ou puro palpite. Podemos sim, acho, e devemos, discutir aspectos fundamentais da ação policial para que corrijam os responsáveis o que foi errado e reforçem o que foi certo. Não é assim que as sociedades crescem?

O único aspecto policial, ao menos por enquanto e até não sair, se sair, toda a verdade sobre o momento da invasão do apartamento, que eu quero chamar a atenção é que a autorização policial para que a refém que já estava fora do cárcere privado em que estava voltasse, foi dada. A polícia afirma que não autorizou a menina Nayara a voltar ao apartamento e sim até uma distância “segura” para conversar com o criminoso. Parem um momento e reflitam sobre este procedimento. Fico me perguntando se fosse uma pessoa adulta, se ainda assim a polícia não teria obrigação de impedir, mesmo que fosse a vontade desta pessoa voltar a estar ao alcance físico de um criminoso. E era uma adolescente. Afirmou o coronel responsável, categoricamente, que agiria desta maneira se fosse com um de seus filhos. Perguntado diretamente se autorizaria um filho seu a agir como Nayara, afirmou que sim.

Não sei voces, mas supondo que o coronel não tenha mentido, penso que o modo como ele agiria em relação aos próprios filhos não seria diferente do modo como agiria em relação aos meus.  Eu não teria o direito e mesmo que tivesse não teria êxito em lhe pedir que tratasse meus filhos de um modo diferente do que o coronel trataria os próprios. E este modo do coronel não me tranquiliza, ao contrário, assusta. Tenho, a exemplo dos pais das duas jovens da tragédia, filhas jovens também. Também têm muito amor por suas amigas e consigo vê-las perfeitamente implorando para assumir o papel de Nayara se uma de suas amigas fosse a Eloá. Como pai, exigiria dos responsáveis pela segurança pública que impedissem minhas filhas, se eu não estivesse por lá e se mais ninguém não “estranho” não conseguisse impedi-las. Esta maneira do coronel de ver as pessoas, inclusive os próprios filhos, não me serve. Julgo não estar sendo leviano nem pretensioso ao acreditar que não sirva à sociedade.

Não podemos impedir um pássaro de pousar em nossas cabeças. Podemos impedi-lo de fazer ninho. Isto vale para maus pensamentos, isto vale para consertar maus procedimentos. O Governador Serra tem a oportunidade de mostrar, num caso, que é uma pessoa grande, por arrepender-se e desculpar-se e no outro caso, de mostrar que zela pela segurança, e sensação de segurança, da população mais que eventuais compromissos políticos, censurando ou afastando o coronel, ou os dois.

É isto.

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Sugestão musical: Sentinela, na versão com Milton Nascimento, Nana Caymmi e Coro dos Monges Beneditinos.

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Este post segue às duas da madrugada, portanto, Boa Noite!

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Uma Semana Intensa

October 19, 2008

De domingo 12 aos primeiros minutos deste domingo 19, me pareceu que “a ampulheta do tempo disparou”,  como está tal qual o Chico Buarque escreveu em “Almanaque”. Impressão minha ou foi isto mesmo?

Da pergunta final da propaganda da campanha de Marta divulgada no domingo, passando pela reação da maior parte das “grandes” mídias a esta propaganda, passando pela batalha campal entre duas polícias de um mesmo estado, no caso São Paulo, e de um mesmo patrão, de novo passando pela reação das “grandes” mídias a este episódio e culminando com a tragédia de Santo André, com a continuação de seu epílogo neste fim de sábado e – de novo! – passando pela reação das “grandes” mídias (neste caso, até agora, parte das “grandes” mídias) confesso que fiquei perambulando por tudo quanto foi blog, órgão de imprensa com página na internet, não deu tempo ainda pra ver o que falam sobre o assunto as imprensas e blogueiros estrangeiros, pra tentar entender o que está acontecendo. Com o mundo. E comigo.

A última frase refere-se a um fato que não sei se todo mundo já se deu conta, que quando a gente sai procurando uma informação, ou informações, sobre um fato, muitas vezes estamos procurando um texto que mostre o que nós mesmos estamos pensando. Quando a gente encontra, não é que uma verdade caiu do céu e nos iluminou a todos, dá aquele estalo e a gente fala: é isso! A gente reage assim porque em algum canto da nossa mente a gente pensava daquela maneira e não conseguia articular racionalmente um conceito, uma idéia, que dirá formular em palavras.

Ah, acho que nem preciso dizer que está todo mundo autorizado a falar: ei, “a gente” conversa! Não pense que todo mundo é burro que nem você. No que vou concordar e jamais disse o contrário. Tenho uma grande facilidade em imaginar que todo mundo pensa como eu, gosta das mesmas cigarrilhas que eu e torce pelo mesmo Santos que eu. Se bem que neste último caso apenas seria um caso de bom gosto.

Voltando aos assuntos, comecemos pela propaganda. Assim que a vi, pensei comigo: “Ah, isso não ficou bom.” Entendi desde o comêço que foi uma iniciativa desastrada do marqueteiro. Não conseguia entender, como não consigo ainda entender, que Marta ou mesmo alguém do comando de campanha tivesse qualquer participação na escolha daquelas frases, que aliás pra quem não viu só perguntava isto mesmo, sobre o adversário de Marta na campanha, Kassab: “ele é casado? tem filhos?”. Estas duas perguntas seguiam-se a outras onde perguntava-se sobre se alguém sabia da história política de Kassab. Achei que as perguntas pessoais eram tolas porque colocavam no mesmo nível questões de níveis diferentes, se Kassab teve e tem compromisso político com Pitta e Maluf, isto, a meu ver, é incomparavelmente mais importante do que a vida particular do candidato. Também me ocorreu que se fosse uma tentativa para uma campanha pra divulgar que Kassab é homossexual e que por ser uma figura pública teria que assumir esta posição publicamente, seria uma grande bobagem do marqueteiro, a propaganda não seria entendida assim e seria cometido mais um erro de qualquer propaganda mal feita, que é o de confundir mensagens. Por fim, como teria debate na Record mais tarde, pensei bem quietinho no meu canto que teria sido uma tentativa estúpida de desequilibrar o Kassab. Fiquei e tenho a impressão que Marta soube desta propaganda apenas depois que foi ao ar e nem vou invocar suas posições públicas sobre o universo GLBT, e o alto prêço, inclusive eleitoral, que pagou (paga) por estas posições. Esta impressão deveu-se pura e simplesmente porque é difícil acreditar que alguém em campanha numa cidade como São Paulo, com centenas de compromissos de campanha por dia, com horas de memorização de dados para participação em debates e entrevistas, etc… e etc… e os etcéteras que envolvem uma campanha, inclusive o cansaço físico e emocional e sabendo-se que o dia tem 24 horas, iria encontrar tempo para dar palpite numa propaganda de TV. E isto sabendo-se também que há marqueteiros e cada vez mais estas pessoas são pagas, e não com pouco, para fazer o que fazem. É razoável acreditar que neste meio, o dos marqueteiros eleitorais, de tanta concorrência como o é o do mercado da publicidade, o marqueteiro não tenha espaço para manobra e espírito de iniciativa?  A impressão que Marta não teve participação na escolha desta linha de propaganda – linha que aliás não houve e ficou apenas nestas duas perguntas mesmo – foi que algumas pessoas de notória oposição à Marta, jornalistas com blogs de notícias políticas de grande audiência, apressaram-se, antes mesmo da gente até refletir sobre a propaganda, em divulgar que Marta participou da escolha do material e que seria impossível que ela não o fizesse. Achei estranhas estas afirmações e despropositadas. Entendi depois o propósito, quando se viu uma avalanche de artigos e posts e declarações nas TVs e Rádios condenando a candidata. E centraram fogo na pessoa dela, se você ler atentamente tudo que foi escrito e que ainda está na rede, dá a sensação que só falta dizerem que o marqueteiro obedeceu ordens de Marta e do marido, Luis Favre, para que aquela propaganda fosse ao ar. O que logo no comêço da divulgação da peça publicitária já seria difícil, o marqueteiro admitir o erro – o que só veio a fazer dias depois – e o comando de campanha idem, censurando o marqueteiro e Marta idem, desautorizando publicamente a propaganda, dizia que já seria difícil porque um ser humano admitir erros é sempre difícil, que dirá de público e que dirá num meio tão competitivo e feroz – isto para o marqueteiro e para o comando da campanha – e a duas semanas das eleições e com pessoas de confiança – isto para Marta – tornou-se impossível depois do dilúvio de hipocrisia que se assistiu.

A mesma Folha de São Paulo que dedicou páginas e páginas para explorar a separação de Marta e do senador Suplicy, que escarafunchou as vidas de Luis Favre, de Marta, dos filhos, apregoa em suas páginas textos e mais textos mostrando cara de chocada com uma desde já e para sempre insinuação sobre a orientação sexual de Kassab. A revista Veja, que só pelas capas já mostrou diversas vezes seu tom desequilibrado e de mau gosto – o Presidente Lula com uma marca de pontapé nos fundilhos, o então candidato Garotinho desenhado com chifres de diabo, das que me lembro agora – e com articulistas que fazem de seu (aparente) ódio ao PT e a quem milita no PT e a quem vota no PT seu ganha-pão, como os senhores Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo (o primeiro tem um livro à venda chamado “Lula é Minha Anta”; o segundo acaba de lançar “No País dos PeTralhas”; cito os livros pra quem teve e tem a sorte de não os conhecer para avaliar o nível dos debates que empreendem) – e que caracteriza-se por sua oposição sistemática a tudo que julga contribuir para o sucesso do governo Lula (além de estar famosa também, no momento, por conta de mal explicadas relações com o banqueiro Daniel Dantas e outros episódios, conforme pode ser lido à exaustão no blog de Luis Nassif) assim publicou em sua última edição a título de informação para seus leitores: ” a petista desceu ao subsolo ao divulgar um comercial de TV com especulações maliciosas sobre a sexualidade do prefeito Kassab, de 48 anos, solteiro e sem filhos.” Fico só nestes dois exemplos porque são inúmeros. Para quem quiser saber com mais detalhes até onde chegaram, se visitarem “O Biscoito Fino e a Massa”, o blog do Professor Idelber Avelar, tem uma matéria excelente com data de 15 de Outubro, se não me engano. Outro blog que vale visitar é o de Luis Favre, marido de Marta.

Este post já está ficando muito grande e de novo tenho que me lembrar do que escreveu certa vez Oscar Wilde a um amigo, numa carta: “Desculpe-me a extensão do texto, não tive tempo para ser conciso.” Não foi exatamente isto, mas o sentido foi este. Parece piada mas não é: concisão exige tempo, burilar palavras demanda esforço – nem vou dizer talento porque se não vou chorar. Mas deixa terminar este primeiro tópico dizendo que de minha parte, que estava até meio distante da campanha, só o que fez esta reação da “grande” mídia ao episódio, agindo não como imprensa livre e informativa (que tenha opinião e assuma, bolas! não se esconda atrás de uma pretensa neutralidade; procurem e vejam se algum destes órgãos assume publicamente suas preferências partidárias, da Globo até qualquer jornal passando por todas as revistas excetuando-se Carta Capital – neste caso nem é preferência partidária, Carta Capital declarou-se diversas vezes não “ser” do PT, até é a que mais crítica com conteúdo faz ao governo Lula mas sim assumiu publicamente nas eleições presidenciais seu voto em Lula e inclusive afirmou que o fazia por considerá-lo o candidato mais adequado para promover um diálogo frutífero entre as diversas forças da nação) mas sim, agindo como um grande panfletão (coisa que também não entendo é porque sendo apenas panfletos e ainda contendo propaganda paga, ainda são vendidas e não dadas, como estes folhetinhos que nos dão nas ruas!), bem, dizia eu, a reação em mim foi a de querer fazer campanha para Marta também, daqui de São José dos Campos.

Bom, quero deixar bem claro, para quem ainda tenha alguma dúvida, que meu problema com o Sr. Kassab não é porque ele seja só ou acompanhado, hetero ou homo. Entendam como uma brincadeira que não posso deixar de fazer para não perder a oportunidade e talvez fique até engraçadinha: não gostava de Rock Hudson não porque não tínhamos os mesmos gostos, mas porque ele era canastrão. Meu problema com o Sr. Kassab é porque ele vem e é de um partido que representa o de mais atrasado que há no país, em que as correntes “progressistas” já deixam às vezes a desejar, que dirá as atrasadas.

Como no finalzinho dos episódios de “Heroes”: To Be Continued…

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Sugestão Musical: “Senza Fine”, de e com Gino Paoli. Apague a luz, acomode-se, feche os olhos – e viaje.

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Bom dia!

(Cantar, nunca foi só de alegria, em tempo ruim, também se diz bom dia…)

Ainda não deu certo

October 10, 2008

Ora, ora, esperava mais dos japoneses. Acabo de saber, agora às três e cinquenta e oito da madrugada de sexta -feira, que a Bolsa de Valores de Tokio fechou seu pregão com baixa  no índice Nikey de 9,6 %, (lembro que neste exato instante são quatro da tarde no Japão).

Tiveram dez minutos para tranquilizarem-se depois de minhas palavras no post anterior e não aproveitaram sua oportunidade. Agora é tarde, só segunda-feira reencetarão sua marcha rumo à calmaria.

Acham que estou exagerando? Acompanhem então, comigo, o fechamento das bolsas européias no fim desta manhã brasileira, o fechamento da Bovespa logo mais à tarde assim como o  fechamento da Bolsa de Nova Iorque.

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Aproveito a oportunidade do vacilo oriental para mais uma sugestão musical: “Pinball Wizard”, The Who.

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Insisto: Bom Dia!

Colocando a conversa em dia

October 10, 2008

Voces viram a Fal no programa “Sem Censura”, da TV Brasil? A gente fica sempre querendo que alguém que a gente gosta, nestes debates, tenha mais espaço, não é?  Uma coisa me chamou a atenção, ela estava muito à vontade. Sei lá se porque a vi pessoalmente muito pouco – para meu prejuízo e sua (dela) sorte, diga-se – pareceu-me ser a mesma pessoa com quem dividi alguns goles de café, algumas baforadas em cigarrilhas, algumas palavras, algumas risadas e algum silêncio no silêncio maior que é a noite de São Paulo.  Se a Fal estava “de pose” no programa da Tv, então ela sempre ficou “de pose” comigo.  Fal, se estiver lendo, já deve ter deduzido que estou brincando. Você foi ótima e te confesso que estava um pouco receoso pensando que você talvez ficasse nervosa e não se saísse bem.  Se ficou nervosa, disfarçou legal.

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Tenho duas observações sobre esta crise de bolsas caindo pelo mundo, alguns grandes bancos estrangeiros quebrando – é bem o têrmo, parecem ser mesmo brinquedos nas mãos de seus donos – e toda uma maratona de comentários de todas as mídias sobre o assunto. As duas são uma gaiata e uma mais séria.

A mais séria é que independente da ideologia de quem analisa, não dá pra deixar de constatar que quem sempre apregoou as virtudes e o melhor remédio que sempre foram o Livre Mercado, sábio, sóbrio, implacável com a ineficiência, desumano talvez mas infalível em qualquer dos prazos – curto, médio e longo – hoje vê este Livre Mercado implorar pelo socorro do Estado, este vilão maior na visão daqueles fãs do neoliberalismo. Um socorro trilionário nos Estados Unidos, estatização de dívidas e bancos nestes mesmos Estados Unidos e na Europa, é o que está nas manchetes. Parece que o rei está nu, e passando frio.

Antes de falar a gaiatice, tem mais uma reflexão. Na minha ignorância, entendo o dinheiro como um símbolo. Estas notas, os saldos bancários, os valores em bolsa, os valores das commodities, todo este mundo financeiro é um símbolo, uma representação do mundo econômico. Explicando melhor esta minha visão (de ignorante, lembro): uma empresa vale suas propriedades, aí composto tudo o que ela tem, nem mais nem menos que isto. Quando seu valor sobe muito acima de seu valor real na bolsa de valores  ou quando cai muito abaixo do seu valor real entramos no mundo da fantasia, um castelo de cartas que uma brisa derruba.  Repararam nas cifras que estão circulando pelos noticiários? Trilhões de dólares para lá, trilhões de dólares para cá. Não há riqueza no mundo que corresponda a este valor. Às vezes me parece que estamos na Matrix e com o maior medo que apareça a equipe do Morpheus para nos abrir os olhos. Tomara que se isto ocorrer não doa tanto quanto doeu pro Neo, ou se a dor for intensa que pelo menos passe logo.

Falei em gaiatice. Bem, não deixa de ter um certo fundo de verdade. Leio que de uma semana pra cá todo dia as bolsas caem em média cinco, sete, dez por cento. Ora, não há razão para pânico. Vejam, mesmo que o índice caia cinquenta por cento por dia, jamais chegará ao zero, façam as contas, é impossível, matematicamente, porque não há conta de divisão que resulte em zero se o dividendo não for zero. O máximo – digo, no caso o mínimo, hehe – a que poderíamos chegar seria ao UM. Daí, se faz-se muita questão, partamos para os algarismos depois da vírgula e será infinito que nem o Pi, lembram-se do Pi? Portanto, tranquilizem-se, se estamos a humanidade inteira caindo do último andar de um prédio, saiba todo mundo que não tem chão.

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E lá estamos indo para o fim das eleições municipais deste ano. Nas maiores cidades do país teremos segundo turno, na maioria a coisa já foi decidida. Aqui em São José meu candidato a prefeito não ganhou, minha vereadora foi eleita. Não sei em quem votaria no Rio e em Belo Horizonte, independentemente do fato de continuar filiado ao PT (desde 1982). Leio que no Rio o PT vai apoiar o Paes, mas talvez eu fosse de Gabeira, autor de uma das frases mais lindas que já li em política, foi ontem no debate promovido por “O Globo”, voces viram? Não só pela frase, é claro, mas por achar aqui de longe que ele representa uma candidatura progressista. Bom, digo talvez,  se tivesse a oportunidade de votar iria me informar bastante pra saber dos compromissos de cada um e quem garante estes compromissos. Em BH não faço a menor idéia quem escolheria. Em Salvador já me dou por satisfeito por mais uma bordoada que levou o clã de ACM, qualquer um que levar ficará de bom tamanho. Em Porto Alegre votaria tranquilamente na candidata do PT, a Maria do Rosario. Em São Paulo iria de Marta. Ela até agora foi infeliz nos debates, não sei se na campanha de rua se deu melhor, em explicar esta idéia magnífica que são os CEUs. Se alguém estudar este projeto verá que é muito mais que uma “escolona”, como o governo Serra-Kassab resolveu entender. Do Kassab aplaudo esta campanha “Cidade Limpa”, que surpresa agradável. Se a Marta ganhar, o que não acredito, tomara que continue com esta campanha. Que notícia gostosa foi a da vitória da prefeita de Fortaleza, a Luisiane. Em sua eleição ganhou da cúpula do PT. Em sua reeleição ganhou da família Gomes. Parafraseando o título brasileiro do filme, “Nunca a Vi, Nunca a Ouvi, Nunca a Li, Sempre a Amei”.

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Pra terminar, uma visão muito particular e intimista da política.  Filiei-me ao PT porque naquele comêço dos anos 80 representava o progresso das relações na sociedade. Representava mais justiça social, representava firmeza em construir um Brasil e um mundo melhores, sem seguir cartilhas de doutrina de quem quer que seja. Acho que, com todas as mazelas, ainda representa, ainda é a melhor chance do Brasil. Mudamos muito, o Brasil, o PT, e eu. Pra mim partidos políticos são, como tantas coisas na vida, ferramentas que você usa quando são úteis. Não sei se as ferramentas atuais, estes partidos que aí estão, representam seu papel a contento. Numa reforma partidária pra valer, honesta, muita gente do PT, do PSDB, do PMDB, com tantos outros estariam num mesmo partido porque do mesmo lado já estão faz tempo. Às vezes há disputas mas são no fundo dos mesmos projetos. No Brasil de hoje só há espaço pra duas visões (partidos): uma progressista, pra universalizar o acesso da sociedade ao que esta sociedade produz e uma para restringir este acesso, preservando privilégios.

Desculpem-me se me alongo nestas discussões políticas, mas adoro este tema. Não consigo ficar longe. Acho que não dá para se ficar. Não moramos sós, sempre estamos em sociedade. Estamos sempre fazendo política mesmo que não saibamos. Às vezes pagamos o prêço de nos omitirmos da discussão e isto não nos isenta da responsabilidade dos resultados. Nem alguém que mora num deserto, e só, estaria desobrigado desta atividade. Não há lugar no planeta Terra que a mão do homem não alcance, para o bem ou para o mal. Aproveito e arremato o tema com mais uma opinião, é para provocar discussáo no bom sentido da expressão, discussão para (eu) estudar e aprender: quem vota atualmente nulo ou branco ou abstém-se está dando um cheque em branco para ser preenchido e descontado por alguém que, e aí só resta rezar, tomara que acerte, a conta será dividida por todos, mais cedo ou mais tarde.

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Sugestão musical: Prelúdio da Suite número 1 para Cello, de Bach. No You Tube encontrei versões com Yo-Yo Ma, Pablo Casals, Rostropovitch, Antonio Meneses, todas lindas. 

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Bom dia!

As cartas não mentem jamais

September 20, 2008

Enquanto aguardo Santos versus Goiás, nosso difícil compromisso logo mais às seis e vinte da tarde, tentarei colocar em dia a correspondência para o blog, enquanto Corinthians e Ponte Preta duelam com transmisssão ao vivo pela televisão e a rádio Classic Fm, de Londres, contribui para o clima adequado para tal mister.
É até poético acrescentar que a tarde não está tão fria e chove lá fora.
Vamos lá.

“Uirapuru, o que você acha do aborto?
Assinado: Matilde da Vila Nova Esperança.”

Matilde, primeiro que lembro-me muito bem que você disse que naquele dia não teria problema. Segundo, que eu estava bêbedo. E, terceiro, o Chicão já contou pra todo mundo no bar que o filho é dele.

“Uirapuru, o que você queria ser quando crescesse?
Assinado: João Seu Fã.”

João Seu Fã, queria ser escritor e diretor de cinema. Continuo querendo ser, e crescer também.

“Uirapuru, eu queria uma casa no campo e com cabras solenes pastando no jardim.
Assinado: Anônimo.”

Anônimo, azar o seu.

“Uirapuru, o que você acha da proposta de tapar os rios Tietê e Pinheiros para fazer uma free-way?
Assinados: Galera da Puc.”

Galera, acho que é idéia de algum demente.

“Uirapuru, não aguento mais. Minha mulher me acha um chato, minha mãe me acha um chato, o pessoal do CVV me acha um chato e nem os atendentes do McDonalds me falam boa noite. O que eu faço, Uirinha?
Assinado: Mancebo triste.”

Faz um blog. Uirinha é a %¢8&#@ da ^34$£/. Vaza.

“Senhor Uirapuru, a que o senhor atribui o fim da União Soviética? E do Império Romano? Há água em Marte?
Assinado: Academia Joseense de Letras”.

Acadêmicos, o Stalin não fez o aero-trem. Uma pergunta de cada vez, sai, pega a fila e volta mais tarde.

“Uirapuru, você me ama de verdade?
Assinado: Tua Dolores.”

Não.

“Por favor, aqui é o site do Partido da Causa Operária?
Assinado: Leon Trotsky.”

É o terceiro www à esquerda, logo depois do Vanilla Café da Antônio Carlos.

“Uirapuru, qual é pra você “A” mulher do cinema?
Assinado: Curiosa.”

Betty Boop.

“Uirapuru, você reparou que na Autopsicografia o Sr. Fernando Pessoa chega a dizer que
                          
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração

Assinado: Poeta.”

 
Reparei.

“Uirapuru, você não acha que um gay tem que ser muito macho pra beijar um homem na boca, na rua?
Assinado: Oscar Wilde do Jardim Ângela.”

Oscar, taí uma questão interessante. Ei, por que você está perguntando isso pra mim?

“Seguinte, Uirapuru, cê tá louco, maluco? Caiu tua casa, malaco, vai ferver o barraco, tá sabendo? Te liga e fica esperto, tem vorta.
Assinado: Chicão.”

Cai fora, Chicão. E ó, tem mais, não vou te pagar mais cerva. Vai pra casa cuidar da filharada.

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Por hoje é só. Vai começar o jogo. Boa sorte pra nós, inté.

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Sugestão musical: Adagio de Spartacus e Phrygia, de Aram Khachaturian.
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Boa tarde!

Interrompemos nossa programação normal para

September 20, 2008

Sou fã do horário eleitoral. Adoro. Por mim teria um canal vinte e quatro horas por dia, todos os dias do ano, só para o horário eleitoral. Os três meses atuais são pouco, e só de dois em dois anos muito pouco. Bem entendido, refiro-me apenas aos programas televisivos de candidatos, e programas tosqueira. Eventual programa que tenha algum conteúdo cairá tão mal como cantor de qualidade em programa de calouros. Quem está preocupado com a música?
Seria interessante comparar as declarações dos candidatos e candidatas conforme as estações do ano, por exemplo.
Só os temos, os candidatos, durante fins de inverno e comêço de primavera. Que nos diriam no outono? Como reagiriam ao verão?
Com mais tempo, teríamos mais debates, com mais participantes e com regras mais flexíveis. Não há nestas eleições, por exemplo, espaço para debates entre candidatos a vereador na televisão! Quanto perdemos nós!
Atualmente, nos debates que assistimos, quando um candidato pergunta pra outro candidato a regra é assim:
– o candidato que pergunta tem 30 segundos para perguntar;
– o candidato que responde tem dois minutos para responder;
– o candidato que perguntou tem um minuto para a réplica (acho tão legal esta expressão “para a réplica”);
– o candidato indagado tem um minuto para a tréplica (palavra estranha!).
Então, com mais tempo, teríamos algo assim:
– o candidato que pergunta tem duas horas para sua questão;
– o candidato que responde tem o tempo que quiser para responder, ou não, podendo inclusive insultar o perguntador.
Réplicas, tréplicas, quáplicas e quinplícas serão permitidas à vontade, sem implicância.
Como temos eleições de dois em dois anos para os mais diversos cargos, candidato que ficar pulando de cargo vai ter no mínimo dois anos para fazer campanha, não é bom? E senador eleito, de acordo com a atual regra do jogo, vai ter oito anos pra campanha da reeleição, olha que legal!
Outra vantagem é que nestes canais permanentes – sim, no mínimo dois, um pra tv aberta e outro na tv paga – os candidatos derrotados poderão voltar para dizer porque é que perderam, nas suas opiniões. E vão debater com os vencedores de novo!
Deixa dar um exemplo para voces, um debate imaginário de candidatos a prefeito de São Paulo, por exemplo.

“O mediador:
 – Sr. Candidato Uirapuru, para quem o senhor dirige sua pergunta?
 – Para mim mesmo.
 – Pois não, o senhor tem duas horas para sua pergunta. Por favor avise quando começar a responder para podermos medir o tempo.
 – Na verdade quero dar a resposta primeiro.
 – Neste caso, fique à vontade, mas lembre-se de avisar quando acabar a resposta e começar a pergunta, que terá então o tempo máximo de duas horas.
 – Este tempo de nossa conversa é o quê?
 – É tempo que o senhor está perdendo e tomando da gente. Vai!
 – Sim, obrigado. Muito bem, amiga cidadã, amigo cidadão, minha proposta sobre o trânsito é muito simples. Simples demais, simplérrima, um nojo de simples, chego a me rir de tão simples, hahahahaha. Mas vejam, simples e não simplória. E o que é esta proposta? É a proposta dos dois “Rs”. Rodízio Radical. Atualmente o rodízio é feito conforme os algarismos finais das placas dos veículos e numa região abrangendo alguns quilômetros à volta do centro da cidade. Pra começar, o rodízio vai vigorar na cidade inteira. E nem estacionado na rua poderá ficar. Nem na garagem, a menos que haja um pano cobrindo. Ou jornal, não muito velho.
Hoje, a cada dia da semana – de segunda à sexta – são proibidos sob pena de multa circularem automóveis conforme os algarismos finais de suas placas, sempre em par de dois, tipo 1 e 2 na segunda-feira, 3 e 4 na têrça, etc…
No RR todos os automóveis, de todas as placas, estão proibidos de circular de sábado até quinta-feira. Na sexta-feira estão todos liberados. Eu não acho aconselhável saírem de automóvel na sexta, mas estará liberado. Mais: vamos acabar com a indústria de multas. Infrações de trânsito não acarretarão multas. Seus praticantes serão abatidos a tiros. Atiradores de elite estarão a postos em altos prédios, vielas inesperadas e frondosas árvores em formosas pracinhas à busca dos malvados infratores. Com isto vamos resolver também o problema dos moto-boys, de uma vez por todas. E dos flanelinhas, que passarão a engrossar o exército que faz malabares e vende biscoitos, água e chocolates, destinados agora a pedestres. Sim, porque na ante-câmara do inferno que esta cidade vai se tornar na sexta-feira, os motoristas serão seus próprios flanelinhas, porque não vão conseguir andar com seus carros, os teimosos, eu avisei, não avisei?
Mais: farei um convênio com a Secretaria de Cultura para propiciar entretenimento para os incautos motoristas que saírem às ruas com seus veículos nas sextas-feiras. Porque estes ficarão horas, ah, como ficarão, horas no ultrahipermegagiga-congestionamento. E como passar o tempo? Simples: a Prefeitura providenciará mega-fones em cada poste de iluminação, que retransmitirão, direto de nossos estúdios, narrativas na íntegra de grandes filmes do cinema. Um sujeito, pode ser o prefeito, no caso eu, ficarei contando um filme pra quem tá no trânsito, talvez até cantarolando partes da trilha sonora, assim será.”

E isto é só o comêço da “intervenção” do candidato. Como diz a canção, “E o barquinho vai, e a tardinha cai…”

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Voces eu não sei, mas eu não votaria em mim. Aliás, taí um bom slogan que dou de graça para qualquer candidato: “Eu voto em mim.”

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Sugestão musical: “Nessun Dorma”, Turandot, com Pavarotti.

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Boa noite!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hino

September 19, 2008

Nos meus tempos de ensino fundamental, que na época chamava-se primário, e depois no que então chamava-se ginásio, e entre estes havia um ano chamado de admissão ou era depois do ginásio, nem me lembro mais, aprendemos que as cores da bandeira representavam o verde de nossas matas, o amarelo de nossas riquezas, o azul de nossos céus e o branco da esperança.

Ano passado vim a descobrir que tudo isto era uma tremenda cascata, veleidade poética de quem quis justificar a escolha de nossas cores, que tiveram sua verdadeira origem nas cores das bandeiras das famílias nobres européias que fizeram aliança para partilhar as terras recém-descobertas, esta parte da América.  Alianças firmadas por casamentos e só me resta desejar que os nubentes tenham tido algum amor um pelo outro, melhor pensar assim.

Fomos ensinados a respeitar e tentavam a todo custo nos ensinar a amar nossos símbolos pátrios, dentre eles o hino. Sempre tive uma queda especial pelo Hino da República, a expressão “pálio de luz desdobrado” me cativou e a palavra “liberdade”, entoada duas vezes, chamada a intervir, a nos amparar, acho que já falava para algum canto oculto da minha consciência adolescente.

O hino da independência e o da bandeira prestavam-se a inúmeras paródias, a maioria de humor chulo, que a meninada de minha época apregoava na hora do recreio, baixinho, acho que isto fez eles  perderem muitos pontos- os hinos, os meninos nunca tivemos ponto algum.  O da Marinha sempre fazia-me lembrar algum filme da Disney, ficava parado com a imagem de um cisne branco em águas tranquilas e não prestava atenção no resto. Não nos ensinaram outros.

Toda semana a gente era obrigada a cantar o Hino Nacional. Acho que por isto é que desde cedo achei ele antipático. E demorado, puxa, como ele é demorado. Não sei se as versões completas dos hinos dos demais países são as que gente ouve nas disputas esportivas, mas sei que o nosso teve que ser encurtado à fôrça para esta finalidade.

Depois que o fim da mais recente escancarada ditadura permitiu um exame menos apaixonado de todas estas coisas, percebi que nosso hino tem uma melodia muito bonita. A letra teria mesmo, na minha opinião, de ser alterada, aquele “deitado eternamente em bêrço esplêndido” compromete todo o resultado. É algo que teria que ter fim, como o “ordem e progresso” da bandeira, por alusão ao ridículo. Caramba, é só ordem e progresso que nós queremos? E se não tiver nada escrito na bandeira, isto quer dizer que é “desordem e retrocesso”? Não quero comprar nenhuma briga com a turma do positivismo nem tenho bagagem para tal, mas está mais para lema de uma empresa comercial que para a expressão dos anseios ou da realidade de uma nação. Acho uma grande bobagem este dístico. Bem, voltando ao hino, tirando esta parte da letra, a melodia é sim bonita. 

Poderia ser menos banalizada sua reprodução. Adornos especiais para momentos especiais. Executou-se e executa-se o hino para qualquer coisa, desde abertura de uma disputa esportiva menor até inauguração de bebedouro em algum bairro do centro ou da periferia. 

Confesso que me emociono, às vêzes, quando ouço o hino nacional, em certas ocasiões muito especiais. Ou quando o cantei, em ocasiões da vida adulta mais especiais e perigosas ainda. E confesso também que certa feita em Brasília, ao ver a enorme bandeira nacional tremulando, chorei em silêncio, a danada é bonita.

Voltando aos hinos, hinos de países, os três mais lindos para mim são o da França, o dos Estados Unidos e o da Inglaterra, este último em primeiro lugar. Estou falando apenas das melodias, deixemos as letras pra lá. A resistência durante a segunda guerra mundial, na Europa, criou hinos maravilhosos, letra e música, as canções dos partisans.

Cada um de nós tem um hino, não tem? Não estou falando da trilha sonora a que me referia noutro post, mas sim de um hino. Também tenho o meu, ou melhor, vou trocando de vez em quando, ou eles é que me procuram um de cada vez, não sei ao certo.

Meu hino desde o inverno passado é e não me perguntem o porquê porque não sei responder, este:

“Eu ando pelo mundo prestando atenção
em cores que eu não sei o nome
cores de Almodóvar
cores de Frida Kahlo, cores
passeio pelo escuro
eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
e como uma segunda pele, um calo, uma casca,
uma cápsula protetora
eu quero chegar antes
pra sinalizar o estar de cada coisa
filtrar seus graus
Eu ando pelo mundo divertindo gente
chorando ao telefone
e vendo doer a fome nos meninos que têm fome

Pela janela do quarto
pela janela do carro
pela tela, pela janela
(quem é ela, quem é ela?)
eu vejo tudo enquadrado
remoto controle

Eu ando pelo mundo
e os automóveis correm para quê?
as crianças correm para onde?
transito entre dois lados de um lado
eu gosto de opostos
exponho o meu modo, me mostro
eu canto para quem?

Pela janela do quarto
pela janela do carro
pela tela, pela janela
(quem é ela, quem é ela? )
eu vejo tudo enquadrado
remoto controle

Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
minha alegria, meu cansaço?
meu amor cadê você?
eu acordei
não tem ninguém ao lado

Pela janela do quarto
pela janela do carro
pela tela, pela janela
(quem é ela, quem é ela?)
eu vejo tudo enquadrado
remoto controle”

 

Obrigado, Madame Adriana Calcanhoto.

Ah, por falar na autora do meu hino, quando tiverem um tempinho, visitem http://www.adrianacalcanhotto.com/mare/index.html#

Que site bonito!

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Sugestão musical: “Chão de Giz”, Zé Ramalho.

O Monolito Negro de 2001

September 17, 2008

A edição de 22 de Junho de 1872 do Daily Cronicle trouxe uma curiosa nota em sua página de despachos internacionais. Sob o título “Feliz Coincidência”, informa-nos o sempre austero matutino de Dublin que (em fiel tradução):
 “Nosso repórter William Doyle, convalescendo no Hospital Militar em Bombaim, travou conhecimento com Vladimir H. Petriin, seu agora companheiro de quarto. Mr. Petriin revelou-se, como William, estudioso do incêndio da antiga Biblioteca de Alexandria. Informa-nos William Doyle que Mr. Petriin assegurou-lhe saber o paradeiro de uma dezena de livros-objetos da Biblioteca, dentre os quais o lendário “Vidas em Nossos Muitos Mundos – Nossas Partidas, Nossas Viagens, Nossas Estadas, Nossas Voltas”. William Doyle informa ainda que estão assentes, ele e seu companheiro de quarto, de empreender uma viagem até aquele local, que por enquanto sabe William apenas ser na Ilha de Chipre, tão logo recebam alta.”
A curiosidade está no fato de que jamais alguém com o nome “William Doyle” fez parte dos quadros do Daily. Nem jamais houve qualquer nova menção do jornal ao assunto. Estudiosos da imprensa irlandesa chegaram a pesquisar nos cartórios de registros de nascimentos irlandeses se alguma vez alguém com este nome foi registrado e o máximo a que chegaram é quem em 1848, aos 17 de Janeiro, veio ao mundo William Deyle, filho de Mary Deyle e de pai não informado. Seria o mesmo? De qualquer forma não constava como empregado do Daily Cronicle.
O espantoso silêncio do em todos os demais temas que abordava sempre exato e exaustivo Daily Cronicle causou e causa espécie nos meios acadêmicos. Durante muito tempo uma boataria ensurdecedora correu as universidades do mundo inteiro, do que se valeram espertalhões para ganharem alguns trocados publicando em editoras de reputação duvidosa livretos com as mais variadas teorias conspiratórias, que chocavam pelo absurdo e que por isto mesmo ganharam alguma fama pela sua comicidade. Bobagens à parte, restou a curiosidade não saciada e que agora volta à tona com a revelação, pelo “Orient Star”, de Shangai, que uma expedição está de partida para a Ilha de Chipre à busca de vestígios da permanência de livros-objetos da antiga Biblioteca de Alexandria.
A expedição, internacional, está composta de filólogos, historiadores e alguns outros cientistas. Está sendo financiada por um grupo de investidores de diversos países que pediram sigilo sobre suas identidades. Não há garantia de divulgação universal de seus resultados – ou da falta de. A única informação concreta sobre o empreendimento obtida pela reportagem do Orient Star, e que foi autorizada a divulgar, é que não está o projeto ligado a nenhum governo.
Tudo o que cerca esta história é cheia de mistério. Se não há sequer aceno que poderemos saber se algo sobrou mesmo do incêndio da Biblioteca, por que especular sobre o assunto? Uma jogada publicitária? Mas, se for isto, parece ser um investimento de alto risco para duvidoso e pouco retorno. Afinal, não é por nada não, mas fiquei sabendo disto tudo há meses e só estou lendo agora no Brasil neste meu blog mesmo, parece piada.
Piada mesmo, e só rindo pra não morrer de medo, é que se a gente procurar em qualquer mecanismo de busca da internet, qualquer, pode ser o Google, o Yahoo, o Clusty, o Exalead ou este novo, o Cuil, não vai encontrar absolutamente nada sobre o assunto. No entanto, e não estou dizendo ouvir estrelas, asseguro que todas estas informações me vieram da internet, pena que não salvei. A história toda parece com aquele verbete único da edição única da Britannica que Jorge Luis Borges encontrou em um de seus contos.
Um dos trechos de “Vidas em Nossos…” teria sido a base para Platão divulgar sua – agora nossa – Atlântida. Muitas e muitas outras histórias são atribuídas a este mítico livro. Excertos (mal) copiados teriam sobrevivido ao terrível incêndio, chegando às mãos de místicos de todos os tempos e lugares. Sua autoria, se é que este livro existiu, ou existe, é totalmente desconhecida.
Quando conversei sobre o assunto com um professor de Filosofia daqui de São José, sua reação me fez lembrar aquela frase que não sei traduzir direito: “Eu não acredito em fantasmas, ah, mas que eles existem, isso existem!”.
Uma de suas (do livro) “lições” teria sido aproveitada num livro que infelizmente esqueci o nome, fez sucesso, que diz que quando alguém descobre exatamente de onde veio o mundo e para que foi feito ele imediatamente acaba e outro mundo mais incompreensível é imediatamente criado; há quem diga que isto já ocorreu.
Em outra passagem constaria a revelação que em algum momento de nossa aventura humana na Terra descobriríamos como viajar no tempo, tanto para o futuro como para o passado. Contaria ainda que isso já está ocorrendo.
Em um outro seu trecho diria o livro que viemos de certas estrelas, que algum dia voltaremos para lá.
Já uma outra sua interpretação entende que já voltamos.
Não, gentil público leitor, nada diz o livro sobre como ganhar na mega-sena, ao que eu saiba, e desta maneira amena, prosaica e voltando à terra termino o artigo.

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Desculpem a ausência.

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Sugestão musical: Juliette Gréco, “Detournement”.

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AVISO: Neste Blog pode-se fumar.

Jogar? Quem? Eu?

July 23, 2008

Transcrevo nota do jornal “Valeparaibano”, edição desta quarta-feira, 23 de Julho. Está na página 11 do primeiro caderno:

“Aposta simples dá uma chance em 50 milhões

  A aposta simples da Mega-Sena, com seis números, custa R$ 1,75 e a probabilidade de um apostador acertar neste caso é de uma chance em 50 milhões, segundo dados da Caixa Econômica Federal. Na aposta de sete números, que custa R$ 12,25, as chances aumentam – uma em 7 milhões. Mesmo com as dificuldades, os apostadores não perdem a esperança e imaginam o que poderiam comprar com tanto dinheiro. E não é pouco. Com os R$ 30 milhões seria possível comprar 353 casas de três dormitórios na praia Martin de Sá, a mais badalada de Caraguatatuba, ou ainda 1.500 carros populares motor 1.0 no valor estimado de R$ 20 mil.”

Deixa eu falar que fui viciado em jogo. Um horror. Apostava em corridas de cavalos e nas máquinas. Ah, sim, nas loterias também. As máquinas é que fazem você arruinar-se, a velocidade é enorme, enquanto você tiver crédito – com a casa ou com o banco ou com os agiotas – você aposta. Parada sinistra. Sei lá como saí dessa, sei que saí, graças aos céus.

 
Tenho uma teoria sobre a compulsão do jogador exclusivamente baseada na experiência pessoal, não sei se está de acordo com os estudos científicos. Aposta-se não para ganhar, aposta-se para apostar. Ganhar ou perder, como se diz, faz parte do jogo. Joga-se pelo prazer de jogar. Corrobora esta teoria, acreditem pois é pura verdade, o fato de que apostava na loteria e não conferia os bilhetes. Pode? Consola-me hoje o fato que a teoria das probabilidades está do meu lado, quase certo dos bilhetes não serem os premiados. Cof, cof, quase. Vai saber.

 
Pois então, dizia, parei de jogar há algum tempo. Ainda agora, de vez em quando, num momento de sorteio de prêmio acumulado da mega, se ocorrer de passar por alguma lotérica e estiver vazia, titubeio e faço a aposta mínima. Sempre com os mesmos números: 01, 07, 10, 13, 18 e 20. Tempos atrás, quando era jogador contumaz, fazia aquele tipo de aposta repetida, você vai à lotérica e pede pra repetir aquele mesmo jogo por não sei quantas vezes.

 

Sério, até hoje não sei se esta combinação foi sorteada alguma vez. Gostaria de saber.

 
Mas, hoje, não vou apostar nem que a môça do caixa da loteria venha buscar a aposta aqui em casa. Vai que eu ganho?
Gente, eu quero tranquilidade. Alguém em sã consciência pode me explicar, com educação, o que faço com 353 casas num ponto badalado de Caraguá? Tenha dó. Tá, supondo que tenham alguma serventia, gastei todo o dinheiro com as casas. E o IPTU? Sim, eu quero saber quem é que vai pagar o IPTU. Quem vai mobiliar estas casas? Quem vai pagar o salário de quem vai ficar com a incumbência de abrir as janelas pra deixar entrar ar? E fechar as janelas, quem vai? Ah, eu, né? Tá bom. Tudo eu. Sei.
E os 1.500 carros? Aí realmente é a cereja do bolo. Onde que eu vou estacionar tudo isso? Nas casas lá de Caraguatatuba? Mas como, se posso comprar ou uma coisa ou outra?
30 milhões não dá pra nada. E pro que dá, só dá trabalho.
Não, não vou apostar.
Fica quem sentir vontade desde já com a autorização para apostar os “meus” números. Desejo sorte pra ganhar e pra gastar bem.
Como este blog não tem milhares de leitoras e leitores, mas todas e todos que aqui vêm são de escol – isto não é propaganda subliminar de cerveja, se for beber não dirija mas tome mais uma vodka gelada por mim and one for my baby and one more for the road – e portanto se todo mundo que estiver lendo apostar nos mesmos números, o prêmio será dividido por pouca gente.
Espera…eu poderia ser um desses da pouca gente.
Com licença, vou até a lotérica e já volto.
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Sugestão musical: “One For My Baby”, Billy Eckstine

 

Boa tarde e…sorte!

A Trilha Sonora da Tua Vida

July 14, 2008

No Drops da Fal há uma pergunta: qual música você canta quando está feliz?
Depois de responder fiquei a me lembrar de uma idéia antiga: de como seria a trilha sonora da minha vida.
Minha paixão por cinema e música sempre me fizeram pensar nisto.
Há diversos tipos de trilha sonora. Desde aquelas em que as personagens têm seus temas distintos, até as que têm temas próprios pras diversas situações dos filmes. Há ainda as que combinam as duas.
Há também, é uma idéia interessante, quem propugne um cinema sem música. Cinema, pra esta corrente de opinião, é essencialmente imagem. Pra mim, pessoalmente, cinema sem música é como dizem muitos “oriundi” sobre espagueti: macarronada sem queijo é namoro sem beijo.
E nas nossas vidas, onde somos as personagens principais, que música toca? Qual seria nosso tema, o que ouviríamos nos momentos mais alegres, mais tristes, nos momentos sem sal nem açúcar? Talvez, como naquela canção que começa “o que dá pra rir dá pra chorar” tudo talvez seja apenas “questão só de tempo e de lugar”.
Temos sempre as opções de escolher nossas trilhas sonoras, não é? Algumas pessoas asseguram que neste filme que é a vida têm capacidade até de escolher o roteiro, o cenário, tudo. Não sei. Às vêzes acho que sequer minhas falas sou eu quem as escolho.
Mas a trilha sonora sim, está disponível pra todo mundo. É só treinar a vontade.
Você vive uma certa situação, marcante. Relembrando-a, na memória põe a música adequada.
Ou, ainda, no momento mesmo em que vive aquilo vem forte uma imagem musical. A música vem para explicar a situação, para embelezá-la.
Ou há o silêncio. Sem silêncio não há música possível. É principalmente a combinação som e silêncio que diferencia as interpretações das músicas. Timbre de voz, dos instrumentos e volume sonoro completam o quadro.
Por isto você ouve a Suíte Nº1 para violoncelo, de Bach, na interpretação de Rostropovitch e tem música. Ouve a mesma obra com Pablo Casals e tem outra música. Continuando o exemplo, ouve a mesma suíte com Yo-Yo-Ma e tem outra música ainda. Com o brasileiro que está fazendo tanto sucesso mundial no momento, Antonio Menezes, tem outra.
Pra ficar só nestes quatro violoncelistas, não dá mesmo, pra mim, dizer: tal versão é melhor, tal versão é a “certa”. O encanto que a arte exerce é também porque é que nem caleidoscópio, aceita e estimula e até requer muitas visões. O máximo que a gente pode alcançar, acho, é escolher dentre tantas e tantas obras e tantas e tantas versões a que nos fala mais fundo – naquele tempo e lugar em que a ouvimos.
Talvez nesta montagem da trilha sonora da nossa vida o que nos causa mais impacto é quando, sem querer, ouvimos algo para nós inédito. Passa a ser parte integrante deste nosso filme. Chegamos a nos perguntar: como é que essa pessoa sabia o que eu estava sentindo?
É assim com música, é assim com cinema, é assim com literatura, é assim com tanta coisa.
Na minha trilha sonora, nesta primeira quinzena de Julho de 2008, toda manhã toca o dueto das flores, de Lakmé, de Delibes.
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Frase de cinema (caras, não penso mesmo assim, mas a frase é fantástica):

Horace: – Oitenta por cento da população são idiotas e o resto de nós está em perigo de contaminação.

Horace Vandergelder (Walter Matthau) em “Hello, Dolly”
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Sugestão musical: A canção-tema de “A Bela e a Fera”, de Alan Menken & Howard Ashman. com Angela Lansbury

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Um excelente fim de tarde!